Política

Fabinho desviou mais de R$ 20 mi, denuncia ex-vice-prefeito de Girau


Roberto Baia
Fonte: Redação

10/11/2017 12h23

Com uma população estimada em um pouco mais de 41 mil habitantes, Girau do Ponciano, uma das mais importantes cidades do Agreste alagoano, se tornou conhecida nacionalmente como o “Paraíso da Corrupção”. E essa “pecha” ganhou contornos inimagináveis, após membros da numerosa família Aurélio ganhar força política ao assumir o comando do município e herdar as chaves dos cofres públicos.

Primeiro foi José Aurélio – o Zé Aurélio, que fez questão de se auto apelidar de “Zé Água”, “Aquele” que veio para matar a sede da população e de animais que sofrem durante séculos com a falta desse líquido, apesar da cidade estar localizada a 28 quilômetros de Traipu, banhada pelas águas do Rio São Francisco, que abastece a maioria das cidades do Agreste e do Sertão.

Não demorou muito e o Zé das Águas colocou as garras de fora, com esquemas fraudulentos, para meter as mãos no dinheiro do povo. Com apoio de um genro, ele simplesmente cooptou não só servidores do quadro efetivo e comissionado, como criou um verdadeiro exército de “fantasmas”, para contraírem empréstimos consignados junto ao Banco Rural. E o esquema era simples: assessores convenciam os “servidores” a ajudar o “Zé” e, com isso, ganhavam uma comissão e a promessa de que tudo seria devidamente pago e o emprego estaria garantido até o final da gestão.

O esquema foi logo descoberto, quando o banco passou a cobrar aos servidores, que ficaram com os nomes sujos no SPC e Serasa. Não demorou muito para o caso parar na Justiça, onde se descobriu que a quadrilha liderada por Zé Aurélio montou a farsa, contratando até pessoas em plena via pública para contrair os empréstimos que encheram os bolsos do gestor. No rol dos devedores, consta até o nome do filho Fábio Rangel que, mais tarde, veio a ser prefeito e está hoje trancafiado em uma cela do sistema prisional de Alagoas, por seguir o exemplo do pai. Percebeu que hoje os tempos são outros e que a Lei é aplicada para corrupto e corruptores.

O Zé das Águas, no entanto, está hoje livre, leve e solto. O Banco Rural sucumbiu ao sistema financeiro e faliu, mas mantém um processo contra o ex-gestor que ultrapassa mais de R$ 100 milhões. Na prática, José Aurélio não deve absolutamente nada, já que essa dívida que tem que pagar é o próprio município. Mas responde por seus atos, que acabou com seu afastamento da Prefeitura. Mas pasmem: por decisão da Justiça Zé Aurélio perdeu o mandato, mas como “brinde” ficou recebendo o salário de prefeito até o final da gestão.

 

Tal pai, tal filho

 

Em meio a uma briga pelo poder de membros da família Barros, que domina durante décadas a política naquele município, a família Aurélio renasceu das cinzas ao eleger, em 2012, Fábio Rangel, o Fabinho Aurélio, que é filho do Zé da Água.

A explosão de alegria, ao tomar o comando do município da família Barros, logo se transformou em angústia e incertezas diante do aparente enriquecimento do gestor e de parentes, que meteram as mãos sem dor e nem piedade nos combalidos cofres públicos. Quem abriu a boca e expôs toda a podridão foi o próprio então vice-prefeito Severino Correia Cavalcante, conhecido por seus munícipes como Severino do Chapéu.

Além de denunciar a falta de prestação de contas junto à Câmara de Vereadores, Severino do Chapéu protocolou acusações contra Fábio Rangel Nunes de Oliveira em vários órgãos de Alagoas. O documento, enviado ao TCE, PF, AGU, TCU, coordenação do Gecoc, Procuradoria da República, MPE e Promotoria do município de Girau do Ponciano aponta irregularidades em celebração de contratos, fraude em licitação, dinheiro pago a mais em reforma de escolas que não aconteceu, entre outras, incorrendo em improbidade administrativa.

De acordo com o vice, em quatro anos foram desviados mais de R$ 20 milhões. “O roubo foi grande. Para se ter uma ideia, documentos que estão em poder do Tribunal de Contas do Estados comprovam que o prefeito chegou a comprar uma simples garrafa de água mineral por R$ 180,00. Mas isso é apenas um detalhe do tamanho da fraude. Está tudo documento e o “rombo” em áreas como Saúde e Educação é um fenômeno que, agora, está sendo levado a sério e que acabou colocando esse rapaz (o prefeito) na cadeia”, disse Severino do Chapéu, que fez questão suscitar a máxima que diz: ‘tal pai, tal filho’.

Acusado de corrupção, ex-prefeito já está preso e à disposição da Justiça

O ex-prefeito de Girau do Ponciano, Fabinho Aurélio, foi preso durante uma nova operação desencadeada pelo Grupo de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), do Ministério Público, e pela Polícia Militar (PM), realizada no início da manhã de sexta-feira (27). Essa foi a segunda vez, em um pouco mais de três meses, que o ex-gestor é preso.

Além dele, o ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação do município, Edebiel Victor Correia de Oliveira, também foi preso, mas já está em liberdade.  De acordo com a assessoria de comunicação do MP, esta seria a terceira fase da operação “Sepse”.

Segundo a assessoria, os mandados são de prisão preventiva, expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital. Os acusados foram levados, inicialmente, para a Central de Polícia de Arapiraca. Em seguida,  foram conduzidos ao sistema prisional.

Investigações do Ministério Público apontam que o ex-gestor desviou recursos dos cofres públicos que deveriam servir para aquisição de medicamentos.

 

REINCIDENTE

 

O ex-prefeito de Girau do Ponciano, Fábio Rangel Nunes de Oliveira, já havia sido preso na cidade de Arapiraca, no mês de julho, em cumprimento a um mandado de prisão contra ele, solicitado pelo Gecoc.

A prisão foi efetuada em sua residência, localizada no bairro São Luiz. O cumprimento do mandado foi acompanhado pelos promotores de Justiça Luiz Tenório e Kléber Valadares. Fábio não apresentou resistência e foi levado à sede do Ministério Público, em Maceió.

Ainda de acordo com as investigações do Ministério Público, os ex-prefeitos dos municípios de Girau, Mata Grande e Passo de Camaragibe teriam participado de um esquema criminoso envolvendo suposta compra de medicamentos por meio de notas fiscais fraudulentas. Fabinho Aurélio já havia sido preso em julho, na cidade de Arapiraca.

Foto: Assessoria


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