Política

Policiais vasculham fazenda de Arnaldo Higino em busca de provas


Marcos Filipe
Fonte: Redação

01/12/2017 13h40

Populares flagraram nesta quinta-feira (30), policiais nas propriedades do prefeito de Campo Grande, Arnaldo Higino. Ele foi preso em flagrante na semana passada quando estava recebendo em casa dinheiro de uma empresa que vende mercadoria para a prefeitura da cidade.

Nas fotos passadas para a redação do Jornal de Arapiraca, os militares estavam armados e estariam buscando documentos que auxiliem nas investigações do esquema criminoso. Em outra imagem, um estaria contando a quantidade de gado que estava no pasto.

Entrando em contato com o Ministério Público Estadual (MPE), fomos informados de que os policiais estavam dando suporte para mais uma fase das investigações que já calculam o prejuízo de R$ 500 mil aos cofres públicos.

Até agora, sabe-se que Arnaldo Higino estava sendo contumaz ao receber notas frias e em troca se beneficiar com o valor total de cada uma delas.

Tudo foi descoberto após um empresário da cidade se dispôs a colaborar com as investigações do Ministério Público que durante depoimento revelou que valores de até R$ 300 mil já haviam sido repassados.

Equipes do Grupo de Combate Estadual às Organizações Criminosas (Gecoc), e do Gaesf, comandadas diretamente pelo procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar, interceptaram mais uma negociação criminosa no último dia 24, na qual o prefeito receberia o valor de R$ 10 mil.

Nas imagens divulgadas pelo MPE, um interlocutor chega com comprovantes bancários e R$ 11.871. Ele explica que ainda falta uma parte do dinheiro, e entrega as cédulas para o prefeito conferir. O pagamento seria referente ao percentual da propina acertada anteriormente.

Após a prisão, o prefeito foi levado ao Instituo Médico Legal (IML), onde fez exame de corpo de delito, de lá seguiu para a sede do MPE, no bairro do Poço, onde foi ouvido pelo procurador-geral de Justiça e pelo delegado Felipe Caldas. Durante as oitivas ele esteve acompanhado por dois advogados.

“Primeiro momento por corrupção passiva e depois haverá ainda uma segunda denúncia a respeito de fatos paralelos a deste. Já temos provas materiais de outros delitos cometidos pelo gestor contra a administração pública”, afirmou Alfredo Gaspar

 

Terminada a sessão de oitivas, Arnaldo Higino foi levado para o presídio Baldomero Cavalcanti.

Um dia depois, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) decretou a prisão preventiva do prefeito. Ele deverá continuar no Sistema Penitenciário onde deve permanecer durante o trâmite do processo.

A prisão preventiva foi homologada pelo desembargador plantonista Sebastião Costa Filho. “A prisão em flagrante foi efetuada legalmente, impondo-se sua homologação”, fundamentou o desembargador, segundo o qual foi comprovada a materialidade delitiva por ocasião do flagrante e da apreensão de R$ 11.871,00, objeto de suposta transação ilícita.

Para homologar a prisão preventiva, o desembargador utilizou a gravação audiovisual do momento da em que o prefeito pega uma quantia em dinheiro. Além das declarações do empresário Rubens José da Silva, segundo o qual o montante foi pago a título de propina.

“Os indícios de autoria se verificam a partir de depoimentos dos condutores do flagrante, das declarações do precitado empresário e, também, do auto de apreensão”, reforça o desembargador Sebastião Costa Filho, em sua decisão.

 

Prefeito já tem histórico com a Polícia Federal

 

No final do ano passado, Arnaldo Higino foi alvo de denúncias investigadas pela Polícia Federal de decretos ilegais um rejeita as contas da Prefeitura enquanto que o outro Decreto dá parecer pela aprovação. Ambos referentes ao exercício financeiro de 2005, quando Higino era prefeito.

O problema é que depois da expedição da Busca e Apreensão, ordenada pelo Juiz da 44ª. Zona Eleitoral, dos livros atas da Câmara de Vereadores de Campo Grande, para que fosse efetuada a perícia no Decreto 01/2010, o oficial de Justiça informou que no dia em que foi fazer a diligência o prédio da Câmara teria sido invadido por bandidos que levaram todos os documentos que estavam sendo solicitados pela Justiça Eleitoral. Este arrombamento criminoso ocorreu dois dias após o pleito eleitoral. Na época, Arnaldo Higino Lessa afirmou que a inserção de seu nome na lista enviada ao Tribunal Regional Eleitoral-TRE/AL, noticiando que as contas de sua gestão alusivas ao exercício de 2005 foram desaprovadas pela Câmara Municipal não correspondia com a verdade e teria sido fruto de algum equívoco.



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