Política

Edval Gaia e Severino Pessoa não comparecem mais uma vez na PF


Marcos Filipe
Fonte: Redação

01/12/2017 13h49

Os deputados estaduais Edval Gaia (PSDB) e Severino Pessoa (PSC) não compareceram, pela segunda vez, à sede da Polícia Federal (PF) para prestar depoimento esta semana. Os dois são citados na investigação da operação Sururugate.

Desde quando começaram as investigações, os deputados criticam o trabalho da PF, mas agora, com o não comparecimento, os dois foram indiciados pela participação no crime de peculato, desvio de recursos públicos de forma continuada.

“Um deles também será indiciado por associação criminosa, pois se identificou a formação de uma quadrilha com o intuito de desviar recursos públicos da folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE)”, disse o superintendente da Polícia Federal (PF) em Alagoas, o delegado Bernardo Gonçalves.

“O interrogatório era a oportunidade que os investigados teriam de se defender”, completou o delegado.

Outros sete parlamentares devem ser intimados para prestar esclarecimentos sobre a denúncia. Até o momento da investigação quarto deputados já foram indiciados.

Os parlamentares apontados no esquema, além dos dois são: Antônio Albuquerque, Marcelo Victor, João Beltrão, Cícero Ferro, Dudu Hollanda, Marcos Barbosa, Olavo Calheiro, Isnaldo Bulhões e Cícero Cavalcante.

A deputada Thaise Guedes (PMDB) foi a primeira indiciada por suspeita de participação no esquema criminoso. A parlamentar vai responder 25 vezes pelo crime de peculato, relacionados aos pagamentos de salários indevidamente pelos servidores.

O ex-deputado estadual Dudu Albuquerque (PRTB) prestou depoimento para a PF na última sexta-feira (24). O delegado Daniel Silvestre o interrogou e disse que ele vai ser investigado.

 

Trama de novela gira entre deputados e Polícia Federal

 

Sabendo das notificações, a primeira notificação que chegou ao gabinete de Severino Pessoa foi recusada pelos seus assessores. Deste modo ele não foi prestar os devidos esclarecimentos. A imprensa soube do fato e noticiou, ouvindo inclusive quais seriam os próximos passos da Polícia Federal.

O fato não agradou o deputado que acusou a PF de “indiciamento midiático” e “possível abuso de autoridade a anunciada solicitação de condução coercitiva”.

Em resposta, o delegado Daniel Silvestre, um dos coordenadores da operação esclareceu, através de uma nota, que tentou contato com o advogado do parlamentar acusado, mas este não atendeu as ligações.

 

Operação Sururugate

 

A Assembleia Legislativa de Alagoas (AL) declarou em 2010 o triplo de servidores do que realmente possuía e para manter um esquema de desvio de verbas por meio de funcionários fantasmas e até 220 beneficiários do Bolsa Família.

As informações foram reveladas pela Operação Sururugate, que fez buscas e apreensões na Diretoria Financeira e de Recursos Humanos da Assembleia Legislativa de Alagoas

Naquele ano, o Legislativo estadual mantinha junto à Caixa Econômica Federal, que gere as contas dos servidores da AL, o número de 2400 funcionários.

Perante o Ministério do Trabalho, contudo, foi constatado que a assembleia possuía, de fato, 800 servidores em sua folha de pagamento. As disparidades, segundo o superintendente regional da Polícia Federal em Alagoas Bernardo Gonçalves de Torres, se mantiveram durante todo o período investigado, de 2010 a 2013. Neste tempo, afirma, a folha de pagamento da AL ficou em torno de R$ 100 milhões .

“De acordo com as informações prestadas pela assembleia ao Ministério do Trabalho essa folha era bem menor, de R$ 40 milhões , por exemplo”, afirma o delegado, explicando que foi a partir destas disparidades que as investigações avançaram e a

CGU realizou uma auditoria com os bancos de dados do governo federal sobre beneficiários do Bolsa Família e outros programas sociais.

De 2010 a 2013 foi constatado, por exemplo, que os pagamentos da AL a pessoas cadastradas em programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, somaram R$ 25 milhões .

Ao todo, de acordo com o delegado Torres, foram constatados 220 beneficiários do Bolsa Família vinculados à Assembleia neste período. “Se a pessoa recebe benefícios do Bolsa Família, obviamente não pode ser funcionário da Assembleia, onde eles recebem salários altos, de até R$ 17 mil”, disse.

Deste número, foi feita uma auditoria em 80 casos em que foram constatadas diferentes situação. Havia desde pessoas que trabalhavam na assembleia e recebiam indevidamente o benefício, até “laranjas” que emprestavam o nome e em troca recebiam uma quantia simbólica, de até R$ 300 sem trabalhar na assembleia.

A PF identificou ainda casos de mais de 30 pessoas que moram em outros Estados e sequer sabiam que eram “funcionários” da assembleia.

Dos 80 investigados, 41 afirmaram que sequer tinham conhecimento que seus nomes constavam na folha de pagamento da AL. Outros 39 admitiram que emprestaram o nome para o esquema mas, na prática, eram funcionários fantasmas.

“Tivemos um caso de uma agricultora em condições de vulnerabilidade, que recebia Bolsa Família e teria recebido no período um salário mensal de da assembleia, mas só recebia, de fato, R$ 700 em seu trabalho no campo e não trabalhava na assembleia”, contou o delegado Torres.

 



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