Política

Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?


Carlo Bandeira
Fonte: Redação

23/02/2018 10h53

Quando se diz que aqui no Brasil se encontra de tudo, não deixa de ser verdade.

O que era pra ser, não é. “O que será que será” das nossas vidas, se continuarmos a viver sobre a égide de leis trentianas, arcaicas, absolutistas e incrivelmente desiguais.

O nosso sistema, a cada dia que passa, evidencia o atraso no direito consuetudinário. Ou seja, vivemos, ainda, costumes feudais, onde a lei só corria para um lado; o lado dos mais forte, o lado dos amigos do poder. Nada contra regimes monarquistas, contudo, contra a regimes anarquistas.

Muito se fala da falta de qualidade do ensino. Tanto o ensino público quanto o ensino privado não retratam, tampouco, reproduz as realidades históricas da formação de nossa formação, enquanto um povo, enquanto  o molde que serviu para o nascimento de nós todos, o nascimento do povo brasilis.

É na escola que deveríamos conhecer as nossas procedências étnicas, que por acaso, etnias é o que não falta na nossa formação.

Mas duas etnias se destacam na nossa formação enquanto nação. São as etnias indígenas e as africanas. Estas, dominadas pela força da elite economicamente dominante.

Os Índios de Pindorama, perseguidos e de difícil doma pelo feudo reinante. Os negros africanos, deportados e escravizados, foram a força motriz do nosso doce desenvolvimento. Claro que tivemos misturas raciais com os brancos burgueses da Europa.

Nada de anormal, até aí. Porém, o que restou dessa miscelânea racial, foi o sistema das leis, os costumes de se dar bem, sem prestar contas a ninguém.

Somos escravizados por leis e sistemas políticos que não dividem, só angariam pra si, partes cada vez maiores, para cada vez menores número de pessoas.

“Nosso sistema jurídico e político estão mutilados” pelo interesse coorporativo e não cooperativo”, bradou uma grande referência jurídica e política do nosso sofrido Estado; Eduardo Tavares, prefeito de Traipu.

Com essa assertiva, caminhamos para um aprendizado que jamais poderia ser concebido pelo mais democrático educador. Não nas escolas de ensino fundamental e básico, tampouco, academias superiores de ensino, porém as escolas de samba, os blocos de rua em todo o Brasil alcunharam a lição da falta de irmandade, igualdade e reciprocidade nas causas populares.

Enfiaram os dedos onde não os cabiam.

Mas são essas escolas, com sangue de gente humildes e humilhadas que nos pregam a lição. E o mais importante, é que nos esfregam na cara a falta de nacionalismo que as escolas, do sistema educacional oficial, não nos dão o devido conhecimento das causas que nos interessa à formação desse povo que somos nós mesmos.

Mas foi uma escola que nos chocalhou o comodismo sistêmico que vivemos, há pelo menos quinhentos e dezoito anos.

A escola de samba Paraíso do Tuiuti deu-nos esta lição;

Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?

 



Compartilhe