Política

BOIADEIRO DIZ QUE PF SABE QUE SEU PAI FOI MORTO POR DENUNCIAR “FANTASMAS” DA ASSEMBLEIA


Carlo Bandeira e Roberto Baia
Fonte: Redação

16/04/2018 13h12

O Jornal de Arapiraca recebeu das mãos da família Boiadeiro, com exclusividade, uma gravação onde Baixinho Boiadeiro, foragido há três meses da Justiça alagoana, relata que quem matou o seu pai, Neguinho Boiadeiro, também foi responsável pela execução do também vereador Tony Pretinho, que era seu amigo e compradre.

No áudio, que foi entregue na redação do JA, em Arapiraca, ele explica que aguarda o relaxamento da sua prisão para provar a sua inocência e justifica que não se entregou com receio de sofrer um atentado. Baixinho acusa a família Dantas de ter desviado milhões da Assembleia Legislativa em pleno ano eleitoral e esse teria sido o motivo da morte do seu pai, que tinha documentos que comprovam os desfalques, através de servidores fantasmas lotados no gabinete do presidente da ALE, Luiz Dantas. Boadeiro elogiou a operação da Polícia Federal em Batalha que, segundo ele, tem informações sobre o motivo da execução do seu pai.

 

Leia na íntegra a entrevista:

 

Jornal de Arapiraca -  O que você tem a dizer, três meses depois de ser dado como foragido?

Baixinho Boiadeiro - Em primeiro lugar, quero aqui parabenizar a Polícia Federal, pelo seu belíssimo trabalho. Instituição que a gente pode confiar. Parabéns ao Ministério Público também. Parabenizo porque tudo que está sendo feito pela Polícia Federal só comprova que eu não sou homem de  mentira, não ando com mentiras. Por mais que eu tenha que sofrer as consequências eu não minto. Essa denuncia que eu fiz no vídeo que eu gravei e postei na internet.

JA -  No vídeo que você postou nas redes sociais, apresentou um levantamento feito pelo seu pai, Neguinho Boiadeiro, que  resultou numa lista com nomes de funcionários fantasmas da Assembleia Legislativa. O que foi feito com essa relação?

BB- Eu protocolei tudo na Justiça e na Polícia Federal. Entreguei as provas todas. E a Polícia Federal investigou, e, junto à Justiça, conseguiu os mandados de busca e apreensão.  Isso só comprova tudo que eu denunciei naquele vídeo. Por isso eu acho que mereço um crédito. Porque tudo que eu falei é verdade.

JA - E quanto à acusação que recai sobre você, de ter cometido o atentado seguido de morte, contra  o vereador Tony Pretinho?

BB- O que eu vou falar agora também é a verdade. Essa coisa de dizer que eu matei o compadre Tony, isso não existe, de forma alguma. Porque, com cinco dias da morte do meu pai, eu reuni toda a minha família. Eu já sabia quem tinham sido os mandantes e quem tinha participado do crime. Foi quando reuni a minha família e disse: os mandantes foram Paulo Dantas, Marina e Teobaldo. Os articuladores  foram:  Sandro Pinto, Hermes, Rafael, este eu não sabia ainda, e nem do Clebinho.

E a Justiça pode investigar: quem matou meu pai, matou o Tony. 

O que houve, foi: eu atirei no Zé Emílio e ele atirou em mim. Foi uma troca de tiros.

 JA - Mais o que tem a haver esse caso com a morte do Tony?

BB- Tudo vem de um exame balístico, que eles arrumaram pra lá, que eu tenho certeza que foi uma armação prá cima de mim,  por causa  das denúncias que fiz naquele vídeo. Porque eu tinha denunciado o roubo na Assembleia. Aí eles fizeram essa armação, pra que eu pagasse por esse crime. Eu não vou responder por uma coisa que eu não fiz.

 JA - Como você vai provar que não foi você que praticou este crime?

BB - Eu tenho prova onde eu estava. Até agora, tem mais de 30 dias que é pra ouvir as minhas testemunhas. Peço ao judiciário e ao Ministério Público que intervenham para que essas pessoas que provam onde eu estava  na hora crime sejam ouvidas. E as testemunhas do Tiago também, que estava na academia no momento do crime, e era o povo mesmo que estava dizendo isto. E eu estava na casa de uma pessoa, que meus advogados sabem quem é, com três pessoas, e eu estava deitado quando eles chegaram prá mim, mostrando no telefone que o compadre tinha sido morto.

Portanto, eu tenho provas de onde eu estava e o Tiago também.

 JA - E porque ainda não foram escutadas as testemunhas de vocês dois?

BB - Tem gente lá de dentro da Secretaria de Segurança, lá de cima, que falou para os meus advogados que sabem que não fui eu, mas que tem gente que quer me incriminar. Que eu tenho que ser culpado pelo crime.

 JA- E o que você espera que aconteça?

BB- Na hora certa, quando o Judiciário rever o meu caso, ouvir as minhas testemunhas, e as testemunhas do Tiago,  e eu tenho certeza que o judiciário vai fazer isso, ouvir as minhas testemunhas. Então, quando a justiça tiver certeza de onde eu estava, eu e o Tiago, no momento certo, tenho certeza que a justiça vai apurar a minha inocência e trancar essa ação contra nós.

 JA- E o que você espera da justiça?

BB- Quando a justiça revogar a minha prisão, eu vou me apresentar e vou contar tudo. A manipulação que está havendo pra acabar comigo e com a minha família. Quero dizer que aonde eu estou não tenho arma nenhuma. Esse negócio da polícia dizer que me matou porque eu estava armado e atirei neles, isso é mentira. Eu não sou doido de brigar com a polícia.

Isso é o que tenho a dizer. A Polícia Federal está de parabéns, o Judiciário também.  Tenho várias testemunhas que comprovam onde eu estava no dia, na hora do crime.

Então, vocês vão ter que arrumar outro bode expiatório, porque eu não. Todo mundo da cidade viu quem praticou o crime contra o Tony. Eram pessoa altas, de porte físico forte.

E todo mundo me conhece, eu sou pequeno, de porte físico pequeno.

 JA- E por que a polícia não quer ouvir suas testemunhas?

BB- Porque eles vão ter que desmentir o que disseram. Que não fui eu quem matou o vereador Tony Pretinho. Por isso que a polícia daqui não quer ouvir minhas testemunhas.

 JA- E porque o Judiciário não escutou as suas testemunhas?

BB- Eu continuo acreditando na justiça alagoana, porque acho que estão levando o Judiciário ao erro. Mas acredito que eles vão perceber toda a trama maquiavélica que está sendo feita contra mim. E vão ver que eu estou com a verdade.

Pra finalizar, eu queria dizer mais uma coisa, que está aqui dentro de mim.

Na ação contra mim, eu e o Zé Emilio, houve uma troca de tiros. O laudo da criminalística afirma isso, que foi uma troca de tiros. E em 30 minutos após o ocorrido, em 30 minutos, já foi expedido um mandato de prisão contra mim. E eu, desde o dia nove de novembro, estou pelo meio do mundo.

Se Deus quiser, o Judiciário vai rever a minha situação, e vai me conceder o meu direito constitucional de responder em liberdade.

 JA- E com relação às declarações que foram feitas contra você por agentes da polícia civil?

BB- Como é que um delegado vai para uma televisão, dizendo que tem provas suficientes, que o advogado de Sandro Pinto seria até aconselhado para o Sandro Pinto ser responsabilizado pelo crime. Tem prova contra ele, contra o Teobaldo, prova contra a Marina, até a mãe da Marina, com conversas de telefones. O Clebinho com ao tio dele, o Doca dizendo: traga o pistoleiro que matou Neguinho aí, traga até a mim, aqui. E o delegado vai prá televisão, ao vivo, dizer que em 40 dias entraria na segunda fase, e com 30 dias, o pessoal (envolvido no crime de Neguinho) é solto.

Então, meu povo alagoano, por aí vocês já podem ver a manipulação que está havendo contra mim e a minha família.

 RELEMBRANDO O CASO:

 

O que foi entregue à Polícia Federal e ao Judiciário alagoano

 

FANTASMAS RONDAM A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE ALAGOAS

 

Segundo denúncias amplamente divulgadas através de redes sociais, com vídeo publicado no youtube alcançando mais de 300.000 visualizações, Baixinho Boiadeiro, filho do vereador assassinado há  mais de 5 meses em Batalha, Neguinho Boiadeiro, atribui o real motivo de sua morte ao fato do seu pai ter em mãos farta documentação que comprovaria a suposta existência de servidores que serviram de laranjas (chamados de fantasmas) para arrecadação de recursos públicos para financiar a campanha a prefeita da cidade de Batalha de Marina Dantas, esposa do ex-prefeito de Batalha, Paulo Dantas, que é filho do atual presidente da Assembleia Legislativa, Luiz Dantas.

 Na denúncia, o autor mostra vários documentos que são, segundo o mesmo, cópias de declarações anuais de Imposto de Renda de vários desses supostos laranjas/fantasmas, entre os quais destacam-se: 1) Matias Peixoto Silva Alexandre (primo do vereador Barrão); 2) Felipe Henrique Amorim de Albuquerque (primo do vereador Barrão); 3) Ubirajara de Albuquerque Costa Filho (primo do vereador Barrão); 4) Paulo José Amorim Nery (primo do vereador Barrão); 5) Denis Alexandre Lima (primo do vereador Barrão); 6) Maria Aparecida Santos Leandro, e 7) Juliana Santos Leandro, ambas cunhadas do vereador Barrão. Essa lista seria completada por 8) Lucimara, 9) Diogo da Internet, 10) Rafaela de Bozo, 11) Evandro, filho de Geraldinho Pedreiro (ligados ao vereador Fabiano Mandim); 12) João Paulo e 13) João Carlos (filhos de Neide do Funil); 14) Neilton de Neto da Mala; 15) Renata (filha de Galeguinho do bar); 16) Alisson (filho de Cida); 17) Reinaldo, marido de Gorete; 18) Bau (moto taxi); 19) Júnior (filho de Bodinho); 20) Carlinhos (filho de Dedé Leobino); 21) Débora (filha de Severina), todos esses últimos ligados ao vereador e atual presidente da Câmara de Batalha, Waldeck Barros.   

 Esses supostos laranjas/fantasmas teriam, segundo denúncia de Boiadeiro, recebido em 2016, entre R$ 189.408,41 (caso de DENIS ALEXANDRE e outros) até 208.833,28 (caso da Sra. JULIANA SANTOS LEANDRO, que acumulou o cargo em comissão da ALE com um de contratada no município de Batalha). O total dos desfalques nos cofres da ALE, segundo Baixinho, alcançou montante superior a R$ 4.000.000,00 (QUATRO MILHÕES DE REAIS) apenas no ano de 2016, ano das eleições municipais que elegeu a nora do presidente da ALE, Deputado Luiz Dantas. “Esse é o motivo do meu pai e do meu cumpadre Tony estar embaixo do caixão...” afirma Baixinho Boiadeiro.

 Apesar de todas as controvérsias, a advogada de Baixinho Boiadeiro,  entra com um pedido de suspeição, contra o novo magistrado nomeado, Edvaldo Landeaosi, para responder pela comarca de Batalha como substituto da Juíza que respondia pelo processo da morte de Neguinho e Tony, e que saiu de férias. O fato reside no parentesco do novo Juiz com familiares de Paulo Dantas, supostamente envolvido como um dos mandantes do crime do Vereador Neguinho Boiadeiro.



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