Política

Nova fase da Lava Jato investiga propinas de R$ 200 milhões


Fonte: CORREIO DO POVO

08/05/2018 12h36

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira, a 51ª fase da Lava Jato nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. A ofensiva, chamada de Deja Vu, deve cumprir 23 mandados judiciais para investigar propinas em contratos da Petrobras. Pagamentos já teriam superado a cifra de R$ 200 milhões. 

 

A publicação relata que as investigações dos policiais federais apontam suspeita de obtenção de contratos por parte de grupo empresarial junto à Petrobras, em valores superfaturados, mediante a pagamentos de vantagens indevidas a executivos e gerentes da empresa, por meio de repasses no exterior com utilização de companhias off-shore, além da movimentação de recursos em espécie. 

 

A expectativa é que, por meio desses mandatos, se consiga obter provas da prática dos crimes de corrupção, associação criminosa, fraudes em contratações públicas, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de dinheiro, dentre outros delitos. Há mandados de prisão contra três ex-funcionários da Petrobras e três operadores financeiros.

 

"Um deles, um agente que se apresentava como intermediário de valores destinados a políticos vinculados ao então Partido do Movimento Democrático Brasileiro - PMDB", informou, por meio de nota, o MPF, sem detalhar quem seria esse intermediário. Ainda de acordo com o MPF, as investigações apontaram "pagamento de propina que se estendeu de 2010 até pelo menos o ano de 2012, e superou o montante de 56,5 milhões de dólares, equivalentes, atualmente, a aproximadamente R$ 200 milhões".

Essas vantagens estavam relacionadas a um contrato, de mais de 825 milhões de dólares, firmado em 2010 entre a Petrobras e a construtora Norberto Odebrecht.

 

Como funcionava o esquema

 

Segundo os investigadores, o contrato previa a prestação de serviços de "reabilitação, construção e montagem, diagnóstico e remediação ambiental, elaboração de estudo, diagnóstico e levantamentos nas áreas de segurança, meio ambiente e saúde (SMS) para a estatal, em nove países, além do Brasil".

 

Há, de acordo com os procuradores, provas apontando que esse contrato foi direcionado à empreiteira no âmbito interno da estatal. "Em decorrência desse favorecimento ilícito, no contexto de promessa e efetivo pagamento de vantagem indevida, os elementos probatórios indicam dois núcleos de recebimento: funcionários da estatal e agentes que se apresentavam como intermediários de políticos vinculados ao então PMDB", diz a nota do MPF.

 

Os pagamentos foram feitos mediante o uso de "estratégias de ocultação e dissimulação, contando com a atuação do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, de operadores financeiros e doleiros, especialistas na lavagem de dinheiro", afirma o MPF ao informar ter havido pagamento em espécie e uso de diversas contas bancárias mantidas no exterior que estavam em nome de empresas offshores com sede em paraísos fiscais.

 

Há também provas de repasses de cerca de US$ 25 milhões feitos a ex-funcionários da Petrobras, "transferidos a bancos estrangeiros de modo escalonado, em diferentes contas no exterior, objetivando dificultar o rastreamento de sua origem e natureza ilícitas".

 

Há, ainda, suspeitas de que cerca de US$ 31 milhões tiveram como destino pessoas que se diziam intermediários de políticos vinculados ao então PMDB. Neste caso, o pagamento foi feito por meio de contas mantidas por operadores financeiros no exterior, "que se encarregavam de disponibilizar o valor equivalente em moeda nacional, em espécie e no Brasil, ao encarregado pelo recebimento e distribuição do dinheiro aos agentes políticos".

 

Os presos serão conduzidos à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde permanecerão à disposição da Justiça. 



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