Política

Com crise no PSDB, partido de esquerda começa chamar atenção


Marcos Filipe
Fonte: Redação

25/05/2018 08h25

A crise gerada no PSDB para escolher um nome na disputa para ocupar o Palácio República dos Palmares para os próximos quatro anos está beneficiando outro partido, o PSOL. A direção estadual já apresentou seu pré-candidato, Basile Christopoulos, e está ganhando a simpatia da população, principalmente entre os mais jovens.

Basile nunca se candidatou a nenhum cargo político e teve uma vida dedicada aos estudos, à atividade acadêmica, atualmente como Doutor em Direito, e às funções públicas que desempenhou em diversos órgãos do Estado.

Até o momento, no jogo de xadrez da política alagoana, ele é o principal candidato de oposição ao atual Governo de Renan Filho (MDB).

“Pessoalmente entendo que a atual situação é reveladora, na medida em que desnuda a verdadeira face dos políticos tradicionais do nosso estado. A desistência do atual prefeito de Maceió fez com que os setores, que até ontem se diziam oposição, se reorganizassem em torno do atual governador. Trata-se de um cálculo pragmático de quem visa apenas e tão somente salvar seus mandatos”, comentou.

O pré-candidato explicou que sob essa perspectiva a sua candidatura representa de fato o único projeto de oposição ao atual governo.

“Uma oposição programática que jamais pactuaria em troca de cargos ou por um cálculo pragmático. Não queremos os mandatos por mandatos. Queremos ter a chance de dialogar com o povo alagoano e convence-lo de que é possível transformar o estado com base numa nova forma de fazer política”.

Ele diz que é preciso debater sobre o que é a “Alagoas Real e a Alagoas apresenta pela propaganda oficial”.

“Só uma candidatura independente e conectada com os movimentos sociais pode conduzir esse desafio”, explicou.

Na última eleição à prefeitura da capital, o PSOL teve Gustavo Pessoa como candidato e se destacou por levar aos debates assuntos e por dar voz a grupos excluídos, como LGBT+, mulheres e negros.

Para Basile, Pessoa cumpriu um papel fundamental para reestruturar o partido no estado. “ Minha candidatura representa de certa forma uma extensão do diálogo que foi iniciado em 2016 na esfera Municipal. O PSOLfoi partido que melhor soube encarnar na esfera nacional as pautas identitarias. Obviamente que agora estamos diante de um desafio maior na medida em que uma candidatura ao governo tem uma amplitude muito maior”.

Basile lembrou que vivemos num estado que registra as maiores taxas de homicídios contra a população LGBT. De acordo com ele, os setores tradicionais não estão dispostos a enfrentar este tipo de problema.

“Quero travar o debate dos direitos humanos num estado no qual a estruturas de um saciedade patriarcal e machista permanecem tão vivas. Não vamos nos omitir.

Minha candidatura vai dar voz a essas minorias tão perseguidas”.

Para ele, é preciso ter políticas efetivas que possam inibir a violência que mata a juventude negra das periferias e tenha a coragem pra colocar na ordem do dia a questão do feminicidio.

“Isso pressupõe um enfrentamento que tenha como premissa a mudança em padrões culturais e comportamentais ignorados ou naturalizados pelas oligarquias que historicamente se perpetuam no poder em nosso estado”.

O membro do PSOL avalia a atual situação do Estado através dos indicadores sociais.

“As taxas de violência, analfabetismo, evasão escolar, mortalidade infantil e desemprego são alarmantes. A maioria delas ainda supera as médias nacionais que já são baixas”.

Para ele, tudo deve girar na qualidade dos serviços públicos ofertados à população. “Nós não temos os serviços básicos que o Estado deveria oferecer para que alguém viva com dignidade. Educação, saúde, moradia e segurança certamente devem ser temas centrais do debate em 2018. Tudo já está posto pelas leis. Basta cumprir e implementar a lei”.

As operações da Polícia Federal também chegaram ao estado nos últimos meses de 2017. Ele comentou sobre a descrença da população na política, e lançou um desafio aos leitores. “Honestamente penso que o debate da corrupção transcende as questões ideológicas. Mas lanço um desafio que o leitor procure saber se há algum político do PSOL envolvido em corrupção. Tenho orgulho de estar nesse partido e uma das saídas é não receber recursos de empresas que depois da eleição vem cobrar a fatura. O PSOL sempre teve a política de não receber essas doações”.

Um dos desafios do próximo Governador é lhe dar com um Legislativo que também esteve envolvido em escândalos.

“Acreditamos que essa eleição abre uma possiblidade inédita para renovação da nossa representação parlamentar. A atual bancada está mergulhada em sucessivos escândalos e nosso povo defensivamente não merece esses representantes. A nossa representação parlamentar não reflete quem é o nosso povo, e aqui não quero idealizar o conceito de povo. Mas acredito do fundo do meu coração que a maioria da população do meu estado, honesta, trabalhadora e sofrida, saberá repelir isso nas urnas”.

Basilo lembra o novo sistema eleitoral. “Apresentaremos uma chapa competitiva na eleição proporcional. E todos os nossos cálculos reforçam a nossa confiança de que o PSOL terá representação na próxima bancada estadual”.

 

Foto: Assessoria


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