Política

Desavenças e rachas no PSDB geram crise até eleições de 2020


Marcos Filipe
Fonte: Redação

10/08/2018 10h48

Com a realização das convenções estaduais no último final de semana ficou claro que o PSDB em Alagoas está rachado. O que antes eram conversas de bastidores extrapolou os boatos e resultou em declarações via redes sociais e notas oficiais. A crise instaurada no partido terá sérias consequências no pleito deste ano e na escolha do sucessor de Rui Palmeira para 2020.

Um dos nomes certos para ser oposição a Renan Filho (MDB) era o líder do PSDB na Câmara da Capital, Eduardo Canuto, que chegou a declarar que era um “soldado do partido”. O que sucedeu durantes os dias que antecederam as convenções foram reuniões internas e com outros partidos para uma última definição.

Eis que no domingo (05) é lançado o nome de Fernando Collor (PTC) ao Governo junto com Kelmann Vieira (PSDB), como vice. A junção com o senador e ex-presidente não foi bem aceita pelos nomes mais antigos do partido.

No palanque montado para a convenção não estava presente o ex-governador Teotonio Vilela Filho e nem o prefeito de Maceió, Rui Palmeira. As ausências seriam justificadas um dia depois.

“Desde o primeiro instante, manifestei minha posição contrária a aliança do PSDB com o PTC de Collor, sobretudo pela forma impositiva como ela ocorreu. Os meus correligionários sabem que não voto em Collor em nenhuma hipótese. Entendo, também que o presidente Rui Palmeira, líder do nosso partido, não poderia deixar de atender à necessidade de uma coligação eleitoral viável para os nossos candidatos à Assembleia Legislativa. Continuarei trabalhando firme para elegermos as nossas candidaturas na eleição deste ano, as proporcionais, a de Rodrigo Cunha ao Senado e a de Geraldo Alckmin à presidência do Brasil”, disse Teotonio Vilela Filho, sendo o primeiro a mostrar descontentamento.

Já Rodrigo Cunha foi o segundo a declarar que não está muito contente com a chapa: “Tentaram me tirar da disputa numa jogada política superada. Mas a força que pede o novo é muito mais forte. Vamos mostrar a Alagoas que não seremos mais reféns da história e construiremos um novo momento para nosso povo. Infelizmente, nosso atrasado sistema político gera muitas confusões na mente dos eleitores, como se fôssemos todos farinha do mesmo saco. Mas tenho a plena convicção que dentro das regras do processo eleitoral ninguém roubará a minha coragem de fazer diferente e a chama do caminhar com independência ao lado dos alagoanos”.

Arthur Lira falou entrou na novela e acusou Vilela de “acordo branco” com os Calheiros. “Nós do Progressistas manifestamos desde o início do processo para as eleições de 2018 que nossa única exigência seria que tivéssemos uma chapa majoritária competitiva, forte, viável e que fugisse do histórico das últimas eleições. Os alagoanos não merecem que os candidatos que se dizem de oposição façam acordos brancos e conchavos políticos para benefício próprio”, traz a nota.

Ele completa: “Não compactuamos com acordos brancos, não somos esse tipo de político, não vamos compactuar com essa tentativa de enganar os alagoanos.

Gostaria de reafirmar que o Progressistas nunca colocou qualquer empecilho na candidatura de qualquer candidato.

Nossa única preocupação foi com a legitimidade da nossa chapa majoritária”.

Ainda no ano passado, o parlamentar declarou que toda a base aliada de Vilela foi traída em 2014 pelo fato do governador ter escolhido a candidatura de Eduardo Tavares ao governo.

Para o deputado, o que houve foi um acordo entre Vilela e os Calheiros.

Situação complicada para 2020

Com a divisão dentro do PSDB fica difícil a formação de um sucessor para Rui Palmeira. Nos bastidores, o nome ideal seria o de Kelmann Vieira, mas após se tornar vice de Collor, ele virou uma segunda opção.

E parece que as consequências já começaram a ser sentidas. Esta semana iria acontecer uma reunião com os vereadores, servidores e representantes da Prefeitura da Capita para mais uma rodada de negociação. O que não ocorreu, já que ninguém do Executivo apareceu.

O problema é que o projeto inicial era do aumento de 3% dado em uma única parcela, e o novo projeto encaminhado ao Legislativo, são em duas prestações, uma agora de 2% e outra de 1% em Outubro.

De acordo com representantes da categoria, o prefeito teria deixado a “bomba” para a Câmara e consequentemente para o presidente da Casa, Kelmann Vieira, do mesmo partido.

Já que a legalidade da greve estabelece duas condições: os vereadores rejeitam a proposta, e ganham a “fama” de serem os responsáveis por 0% de reajuste ou aprovam o projeto, o que não agradaria aos servidores.

Em ambos os casos, os vereadores do PSDB acabam saindo como vilões nessa novela.

 



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