Política

Processo eleitoral provoca uma crise sem precedentes no Sinteal


MARCOS FILIPE
Fonte: REDAÇÃO

10/09/2018 12h19

Com trinta anos de existência, o Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal) passa por crise causada pelo processo eleitoral da escolha da nova diretoria. É que entre denúncias e acusações, o Ministério Público do Trabalho (MPT) suspendeu a disputa por quase um mês para que as supostas irregularidades fossem corrigidas.

A audiência aconteceu na 9° vara do Trabalho de Maceió na última segunda-feira (03), onde a professora Enaura Fernandes representando a Chapa 2 “Unidade, Resgate e Ação” denunciou que houve falta de isonomia no tratamento das chapas e uso político da máquina pela Chapa 1.

O encontro foi comandando pela Juíza Alda de Barros, que segundo os autos, verificou que na lista de eleitores haviam pessoas sem identificação, o nome de associados que já haviam falecido.

“A liberdade sindical deve ser entendida como o amplo acesso aos cargos de direção das entidades, garantindo os direitos de informação e lisura no processo. Ficou bem claro diante da documentação apresentada e das manifestações das partes, a utilização da máquina”, traz a decisão.

A juíza acabou suspendendo a eleição, que estava prevista para esta semana e determinou uma nova data, em 09 e 10 de outubro.

E desta vez, uma nova comissão eleitoral foi constituída por representantes indicados pela Justiça do Trabalho, com a presidência de um oficial de Justiça, identificado como Américo Albuquerque.

De acordo com a determinação da juíza, a Comissão Eleitoral destituída anteriormente estava beneficiando a Chapa 1 “Luta, Unidade e Compromisso”.

Mas não é essa a versão contada pela atual presidente. Consuelo Correia, afirma que a gestão respeitou o principio da isonomia. “Foram-nos feitas algumas cobranças e tudo o que eles solicitaram da comissão eleitoral foi encaminhado, como o roteiro das urnas e a lista dos associados, além de outras exigências”.

Ela colocou que a gestão não tem nenhuma preocupação em relação ao adiamento das eleições. “Defendemos o processo democrático, a transparência e lisura”.

Consuelo aproveitou e também fez denuncias contra a chapa adversária. “Eles também estão fazendo campanha, tanto quanto nós, e ainda arrancam nossos cartazes e colocam no lixo. São coisas que acontecem, infelizmente” e completou: “Enquanto isso fazemos a nossa parte mantendo a nossa campanha divulgando a nossa carta compromisso, com as proposta para a próxima eleição”.

Sobre a denúncia de que ela estaria na presidência há 30 anos, ela comentou. “É sim o mesmo grupo político, mas eu não estou esse tempo todo como presidente. Fazemos parte de um movimento que luta pela classe, que aparece no enfrentamento contra os Governos. Eu tenho que está presente. Enquanto eles, nunca apareceram”.

Como ocorrerão as eleições a partir de agora

As eleições agora ocorrerão nos dias 09 e 10 de outubro serão para a diretoria executiva estadual, as diretorias dos 11 núcleos regionais, os membros do Conselho Fiscal e as/os delegadas/os de base à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Outro ponto acordado foi a composição de uma nova Comissão Eleitoral Geral, com um representante do Tribunal Regional do Trabalho/19ª Região, e mais 02 representantes titulares e 01 suplente das chapas concorrentes, e que será responsável pela coordenação do processo eleitoral.

Além de Américo Albuquerque Sampaio também tem como membros, representantes da Chapa 1 (“Luta, Unidade e Compromisso”): Milton Canuto de Almeida e Célio dos Santos, e como suplente Norma Sueli Santos de Barros. Representantes da Chapa 2 (“Unidade, Resgate e Ação”): José Nivaldo Cardozo Mota e Renata de Andrade Melo, e como suplente Cícero Mauro da Silva.

Patrimônio do Sinteal

A disputa pela diretoria da entidade é justificada pela grande influência que ela possui com os servidores da Educação, e poder de mobilização e visibilidade.

No dia 22 de novembro de 1988, logo após ser promulgada a Constituição Federal, realiza-se a assembleia para a criação do Sinteal. Proclamada a fundação do sindicato, instala-se uma comissão provisória que tem como presidenta a professora Alba Correia. Tal comissão tinha o compromisso de preparar o I Congresso do Sinteal para aprovação do seu Estatuto e também eleger sua primeira diretoria.

No dia 29 de maio de 1991, o VII Congresso Estadual dos Trabalhadores da Educação de Alagoas elege o professor Milton Canuto o primeiro presidente do Sinteal.

Hoje, no patrimônio da entidade, está a sua sede fica localizada em um casarão, no bairro do Mutange, em Maceió, que além da parte administrativa possui um Salão de Atividades Múltiplas no mesmo local. Também na lista está um Balneário em Riacho Doce, litoral Norte do Estado.



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