Política

Morte de Silvânio deixa maior bairro da Capital à mercê da bandidagem


MARCOS FELIPE
Fonte: Redação

14/09/2018 09h56

Com o brutal assassinato do vereador Silvânio Barbosa (MDB) há uma semana, o bairro do Benedito Bentes, maior da capital alagoana, perdeu o seu principal representante na Câmara de Maceió. Junto com a fatalidade do crime também surge a fragilidade que a região passa a ter. Com o maior colégio eleitoral, a localidade se torna o novo alvo de políticos que terão dois anos para conquistar a população, e consequentemente seu voto.

A força da região em eleger um vereador foi comprovada no primeiro mandato de Silvânio em 2012, eleito como o segundo mais votado em toda a cidade. O Benedito Bentes tem uma população de aproximadamente 88.084 habitantes, segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O bairro é a 54º Zona Eleitoral com mais de 120 mil votantes, o que representa 5,51% de todo os eleitores da capital.

Conversamos com a cientista política, Luciana Santana, que explicou como pode surgir dentro da própria comunidade um novo representante, já que Silvânio começou sua carreira política ainda em 1997 na comunidade, desde prefeito comunitário a conselheiro tutelar. Foram quinze anos até a sua eleição como membro da Câmara.

“Líderes não surgem repentinamente. Outros líderes comunitários tem papel protagonista no bairro, mesmo sem serem vereadores, mas canalizavam suas demandas por meio do vereador Silvânio. Acredita-se que o espaço deixado agora na Câmara será ocupando até o final do mandato por outro (os) vereadores tendo em vista a próxima eleição”, dando referência de que outros parlamentares irão se aproximar da comunidade.

Ela completou: “Buscar se aproximar da comunidade, conhecer as demandas e definir prioridades e contribuir com a fiscalização de ações do Executivo no Bairro”.

Mas ela também alerta que o bairro daquele tamanho pode cobrar melhorias e assistência na localidade sem depender de um representante específico dentro da Câmara, se tornando dependentes.

“O bairro possui várias outras lideranças comunitárias que poderão e deverão se reorganizar para definir um canal de diálogo com o poder público e pressionar para que suas demandas sejam atendidas”, colocou.

A suplene Ana Hora (PSD), que chegou a ocupar a suplênca de Galba Netto, no início do ano, passou a integrar definitivamente  uma cadeira na Casa de Mário Guimarães, desta vez na vaga de Silvânio Barbosa.

 

Seis meses de mandato

 

Ana Hora lembrou que neste mês completa seis meses que assumiu como parlamentar. “Construí grandes amigos nesses seis meses, entendendo a virtude de cada um e foi assim que iniciei uma amizade, sem demagogia alguma, com Silvânio. Conheci o seu trabalho social realizado no Benedito Bentes, onde lá também possuo uma ONG na Grota da Alegria”, relembrou.

Ana Hora ainda recordou das vezes em que encontrava com o colega. “As pessoas diziam que iríamos disputar território político. E foi aí que conheci a maturidade do Silvânio, onde unimos forças e passamos a respeitar o desejo de cada um em querer ajudar”.

 

Bairro do completa 32anos

 

Este ano, o Benedito Bentes completou 32 anos. A prefeitura comunitária do bairro estima que do último Censo aos dias atuais, o bairro pulou para 200 mil habitantes. Atualmente, são 22 conjuntos com mais de 80 logradouros que fazem parte do bairro, além das 19 grotas ao redor.

Com um tamanho de uma cidade, os problemas são proporcionais. Na lista dos bairros mais violentos da capital, a região ocupa o topo, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Alagoas.

Até julho, a SSP havia contabilizado 42 homicídios no Benedito Bentes, o bairro com maior incidência de assassinatos na capital. A segunda posição fica com o bairro Cidade Universitária (32), seguido do Tabuleiro do Martins (27) e Jacintinho (23).

Os habitantes cobram a construção de mais postos de saúde nos conjuntos habitacionais, creches e escolas de ensino fundamental para atender a demanda.

A principal reclamação é o transporte público. Mesmo com a licitação realizada pela Prefeitura, os moradores apontam coletivos lotados e falta de organização dentro do terminal de integração da comunidade.

 

Obras de recuperação

 

E após 30 anos de reclamação é que o Governo Estadual iniciou a obra de recuperação da entrada do bairro, a Avenida Cachoeira do Meirim.

As obras de duplicação começaram em novembro do ano passado e teriam o prazo de conclusão para esse mês, o que não deverá ocorrer.

 A mudança prevê ampliação da via com o objetivo de ampliar a mobilidade urbana e a segurança viária. Além disso, também será implantado um canteiro central, melhorias na iluminação, ciclofaixa e passeio ao longo dos quatro quilômetros de execução do serviço na avenida.



Compartilhe