Política

Corregedoria vai apurar desfile de PMs após vitória de Jair Bolsonaro


Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

01/11/2018 12h35

A Corregedoria da Polícia Militar (PM) de Alagoas vai apurar o suposto envolvimento de policiais militares em desfile de comemoração à vitória eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL), no último domingo (28), na cidade de Palmeira dos Índios. O comandante da Corporação, coronel Marcos Sampaio, determinou a abertura de Procedimento Administrativo na quarta-feira (31).

O caso ganhou repercussão após um vídeo circular nas redes sociais em que os policiais militares – e viaturas – aparecem à frente de uma carreata em celebração à eleição do capitão reformado do Exército.

“O procedimento administrativo deve ser aberto dentro dos próximos dias através da Corregedoria da Polícia Militar de Alagoas”, diz, em nota, a assessoria de comunicação da PM.

NEGATIVA

Na última segunda-feira (29), a PM negou à reportagem que o fato tivesse relação com a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro. “A Polícia Militar de Alagoas informa que o vídeo divulgado nas redes sociais com viaturas militares e alunos transitando na Cidade de Palmeira dos Índios, logo após a eleição, não está relacionado ao resultado da eleição, e sim ao retorno do serviço eleitoral que durou aproximadamente 48 horas, e em nenhum momento os cânticos realizados pelos alunos tinha alusão a qualquer candidato, mas sim a temas específicos da formação militar”, disse a PM no início desta semana.

RENAN FILHO

Ainda na noite de domingo, o governador Renan Filho (MDB) adiantou à Tribuna que iria mandar apurar o fato.

ESTATUTO

O estatuto da PM de Alagoas, em seu artigo 39, proíbe o policial militar de participar de atividades político-partidárias quando estiver em serviço.

ELEIÇÕES

Nos dois turnos das eleições deste ano ocorreram vários relatos de que policiais militares impediram eleitores do PT de votar com camisas com o nome do ex-presidente Lula. No 1º turno, inclusive, vídeos circularam nas redes sociais onde um sargento manda eleitores tirarem as camisas. Num deles uma senhora é ameaçada de prisão. Os vídeos foram gravados por um eleitor de Jair Bolsonaro, mas ele não é identificado na filmagem.

No 2º turno, o jornalista Deraldo Francisco – editor do semanário O Dia – relatou que foi coagido a tirar a camisa que vestia com a frase “Lula é Haddad”.

“Quando eu já estava de frente para a urna um policial militar se aproximou e disse que eu não podia votar com a camisa de Lula. Eu disse que sim, que a camisa não tinha número que fazia referência ao Lula e começou a discussão; falei que quem saberia informar seria a presidente da mesa, e ela disse que não tinha problema algum”, disse Deraldo Francisco ao Tribuna Hoje.

A Lei Eleitoral permite que eleitores votem com qualquer vestimenta, desde que a manifestação seja silenciosa.



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