Política

Governar e administrar são duas coisas bem diferentes. Ou não?


Carlo Bandeira
Fonte: Redação

11/04/2019 11h32

Entre governar e administrar a distância parece não existir. Ledo engano. Existe distância sim, e muita. No dicionário as palavras se equivalem. A semântica induz ao mesmo significado; governar e administrar. Porém, na prática, o rolo é grande, se não vejamos; governar ou administrar os destinos de uma nação, de um estado ou município requer várias atenuantes e significados para as mesmas inflexões proferidas ou lidas.

No meio político, onde aparece mais claramente a dicotomia, os termos em discussão, de longe se assemelham.

O que parece igual, mostra-se igual, mas, diferente, se é que vocês me entendem.

Existem dois aspectos que definem a paridade desses dois termos, que não são opostos, porém, verdadeiramente diametral.

Para clarificar essa assertiva, colocaremos as seguintes condições;

Para se governar tomaremos os termos gestão administrativa e a gestão política, como fonte esclarecedora das diferentes nuances:

Gestão administrativa: por em prática as políticas públicas elaboradas para o bem comum de uma coletividade. Ordenar as estratégias de aplicação de metodologias para a consecução dos objetivos traçados, dentro da legalidade. Seguindo os princípios da Administração Pública.

Licitar, contratar, executar, administrar servidores públicos, são esses os afazeres.

Agora, o mais difícil deles; a Gestão política das ações de governo. Aí é onde mora o perigo.

Gestão Política: Conciliar, atender, conceder, negociar, e principalmente, aliar os diferentes ao seu governo.

Eis o gargalo de muitos gestores que se perdem no meio do caminho. A gestão política já se mostra com uma tonalidade mais carregada do que a gestão administrativa.

Os interesses a serem atendidos se revertem em apoio para se governar a “gestão administrativa” sugerida pelo mandatário do executivo. Se não atendidas, aí o bich, danou-se tudo.

Através de interlocutores, ou por via pessoal, o governante do Pode Executivo, vai gerir os diferentes interesses de um outro poder, o Poder Legislativo, igual mente importante e imprescindível ao interesse público.

Muitos governos bem intencionados sucumbem ao desatino da não negociação com o parlamento. E aqui não se está falando de propina, de caixa dois, de vantagens espúrias. As vantagens em questão rodeiam ao agrado dos parlamentares frente aos pedidos de seus eleitores.

O fortalecimento de uma gestão, do executivo, perpassa por negociações e cumprimento dos acordos. Sem isso, qualquer boa intensão, transforma-se em boa intensão desvairada.

A harmonia entre os poderes não pressupõe uniformidade de pensamentos ou práticas, contudo, é imprescindível o diálogo e o ajuntamento do que se somam dentro das diferentes intensões parlamentares.

As diferenças quando se coadunam em favor do bem comum, isso é fruto de uma gestão política, que notadamente, é inversamente diferente da gestão administrativa, ou não?

 



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