Política

Câmara de Vereadores de Arapiraca conduz entendimento entre Frigovale e marchantes


Carlo Bandeira
Fonte: Redação

23/05/2019 11h34

A Câmara Municipal de Arapiraca reuniu marchantes e representantes da Frigovale, na manhã de quarta feira, 22, para discutirem os termos de um acordo proposto pelos vereadores.

Jário Barros, presidente da Mesa Diretora, conduziu a reunião que teve a participação da vereadora Gilvânia Barros, os vereadores Mequisedec de Oliveira, Fabiano Leão, Willomaks da Saúde, Márcio Marques, Dr Fábio, Thiago ML e Pablo Fênix.

Após a explanação do presidente da Casa, que pediu ao público presente que oferecesse propostas para análises de ambas as partes. Explicou, também, as limitações do Legislativo quanto à tomada de decisões perante o caso envolvendo a Frigovale, Marchantes e a comunidade ao redor.

“Nós não temos o poder de fazer o distrato do contrato, como muitos pensam que podemos, tampouco, tomar qualquer decisão repressiva a favor ou contra empresas ou pessoas. Podemos, sim, gerar a discussão, indicar os verdadeiros problemas, e procurar os devidos encaminhamentos. É esse o nosso dever perante a sociedade, além de produzir leis e propor políticas públicas. Nós somos uma Casa que propõe condutas e  mediamos conflitos entre a iniciativa privada ou pública e a sociedade. O que precisamos é do entendimento das partes, para que esse problema não se estenda mais. Já faz cerca de três anos que essa questão vem incomodando a todos. Empresa, marchantes e a população não podem mais sofrer com este desentendimento”, esclareceu Jário Barros.

Depois da proposta de acordo, a palavra foi dada aos interessados e aos vereadores presentes.

A discussão foi acirrada, pois os vários fatos que marcam as desavenças entre Frigovale e os marchantes já duram mais de três anos, sem que nenhuma decisão efetiva e final viesse a ser tomada pelas instituições responsáveis da fiscalização e da justiça.

As falas, sempre acaloradas, foram canalizadas para uma proposta que coubesse os interesses de ambas as partes.

Tais problemas como, a retenção pela Frigovale, de quase uma arroba, por boi abatido, é o ponto nevrálgico da discórdia, apontada pelos marchantes. Ficou evidenciado que a ADEAL seria a responsável pelo descarte de produtos inadequado para o consumo, e que ela é a instituição que deveria fiscalizar a retenção e descartes das carnes que são comercializadas pelo frigorífico, comércio que não é preconizado pelo contrato, afirma o defensor público, Marcos Chalube.

Os vereadores quiseram saber sobre o conteúdo do contrato de concessão da Frigovale, que foi respondido pelo defensor público Marcos chalube. Ele informou que todo o problema surge por causa das interpretações das partes. Existe um modus operandi para o abate em outros frigoríficos do Estado de Alagoas, como a Mafrial e a Mafripe, que cobram  R$ 20,00 e R$ 30,00 reais respectivamente, muito inferior à taxa cobrada pela Frigovale, que hoje chega a R$ 94,00. Como justificativa, Jaelson Gomes, representante do frigorífico, falou que a estrutura da Frigovale é superior às outras concorrentes, o que foi rechaçada pelos marchantes, dizendo que as instalações dos outros frigoríficos comportam perfeitamente o abate de seus animais, tudo com  inspeção pela Vigilância Sanitária.

Por outro lado, os valores cobrados pela frigovale, que já foram, no início da operação do frigorífico, de R$ 30,00, passando para R$ 68 e atualmente chegando aos R$ 94,00, preço impraticável que só penaliza os marchantes, isso sem falar do problema de retenção das vísceras comestíveis e não comestíveis, e peças de carne como as fraldinhas e rabadas, que são retidas pela empresa, para posterior comercialização. Foi esclarecido para os vereadores que o contrato de concessão não prevê a comercialização pela Frigovale, ficando a empresa autorizada única e tão somente pelo abate do animal.

O frigorífico tem a capacidade de abater, por mês, seis mil animais. “Já chegamos a quatro mil abates mensais. Hoje abatemos, apenas, mil e quinhentos animais” informou Jaelson Gomes.

Nesse ponto, o presidente Jário Barros, junto com os vereadores presentes, pediu bom senso às partes, avaliando que a revisão da taxa cobrada atualmente venha a aumentar satisfatoriamente o número de abates pela empresa.

Depois de duas horas de discussão, os marchantes fizeram a proposta de redução do preço para R$ 30,00,e com as vísceras ficando para o frigorífico. Outra proposta foi colocada na mesa das negociações, que pede um representante dos marchantes para acompanhar, também, a fiscalização feita pela Adeal. O diretor Jaelson Gomes pediu um prazo até o próximo dia 28 para trazer a resposta ou contraproposta da Frigovale.

Todos os vereadores e marchantes presentes concordaram com a nova reunião marcada para o dia 28 próximo, com a presença de um dos sócios da empresa, sugerida por Jário Barros.

 



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