Política

“Ser prefeito de Traipu era o desejo na minha juventude”, diz Eduardo Tavares


Éder Patriota
Fonte: Redação

06/06/2019 08h36

O  Promotor de Justiça, ex-Secretário de Estado da Defesa Social e Segurança Pública, ex-vereador e ex-prefeito de Traipu, Eduardo Tavares Mendes, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal de Arapiraca sobre assuntos relacionados à política local e nacional, de forma bastante lúcida e sincera.
Em relação aos dois anos em que foi prefeito de Traipu, município alagoano banhado pelo Rio São Francisco, Tavares disse que era um desejo alimentado desde a sua juventude.
“Ser prefeito de minha amada Traipu era um sonho de juventude, porém quando a assumi, percebi que ela estava carcomida pela corrupção e pelo descaso. Contudo, no período que fui prefeito equilibramos as contas do município, pagamos os servidores públicos dentro do mês trabalhado, recolhemos e repassamos e repassamos os insumos, pagamos dívidas com fornecedores, como a CASAL”, relata o ex-gestor da cidade que ganhou projeção na mídia, inclusive em nível nacional, por contas dos processos que envolvem Marcos Santos, ex-prefeito do município condenado em improbidade administrativa.



Reajuste e salário em dia
Apesar do caos administrativo que encontrou na prefeitura de Traipu, Tavares enfatiza o que realizou. “Em 2017, fomos um dos poucos gestores que pagaram o aumento dos professores na data base e em parcela única. No primeiro dia de gestão tornamos os garis e as margaridas as categorias mais bem pagas do Nordeste, fora os pagamentos do percentual de férias aos demais servidores, algo anteriormente realizado apenas para os educadores”, diz, acrescentando ainda investimentos em saúde pública, como a substituição da rede de abastecimento de água, ”que antes era de cano de amianto”.
“Com isso, Traipu se tornou uma bela cidade ribeirinha, repleta de alamedas, com fonte luminosa e portais urbanos, escola, merenda de qualidade e urbanizada”, destacou Tavares.
Sobre a sua popularidade, ele avalia que suas medidas saneadoras não agradaram. “Demiti muita gente, existiam muitos funcionários fantasmas. Defendo que os municípios não pratiquem o clientelismo, pois esse tipo de procedimento quebrou vários deles e a população permanece na miséria, entretanto considero que o administrador público deve pautar toda a sua conduta nos princípios da impessoalidade, transparência, equilíbrio fiscal e eficiência”, afirmou.



A renúncia
Já sobre a sua renúncia, o ex-prefeito justifica. “Meu vice-prefeito sabia que eu tirar apenas dois anos no cargo, em virtude de pretender uma vaga no Congresso Nacional, mas acabei não me candidatando a nenhum cargo do legislativo federal. As minhas principais bandeiras eram novo pacto federativo, em que os municípios receberiam a maior parte dos recursos e não a União, como é nos dias atuais; fortalecimento do Ministério Público, que é a instituição mais importante para defender a sociedade brasileira; e a revitalização do Rio São Francisco”.
Falando da especulação que será candidato a prefeito de Maceió, o promotor de justiça foi enfático: “Fui procurado por várias legendas e inúmeros políticos, porém por enquanto não penso nisso, meu título eleitoral é em Traipu e as minhas atenções estão voltadas para as minhas atividades no Ministério Público, mas o futuro a Deus pertence”, pontuou.

Renan Filho
Analisando a gestão do governador Renan Filho, Eduardo Tavares diz que ele vem fazendo um grande trabalho. “Apesar de ser muito jovem, tem tino político e administrativo, assim como é bastante carismático e habilidoso, o considero um dos melhores governadores atualmente no país e tem tudo para ir longe na carreira política”, ressaltou.
Sobre o presidente Jair Bolsonaro, o ex-Procurador Geral de Justiça avalia que ele parece ter boas intenções, mas também possui grande inaptidão para exercer o cargo que se encontra no momento e isso apavora a uma grande parcela da sociedade.

 

MORO NO STF
“Penso que a escolha do ex-juiz federal e do Ministro Sérgio Moro para o STF algo complexo, já que o seu histórico não o favorece a ascender a um cargo na maior corte do judiciário brasileiro. Além disso, a nomeação de Moro para o Ministério da Justiça não se pode considerar algo tão ético assim, sobretudo em razão do fato de ter sido o responsável pela Operação Lava Jato, a qual prendeu figurões políticos tradicionais, a exemplo do ex-presidente Lula e por isso contribuiu decisivamente para a vitória do atual presidente”, argumentou.
Por fim, Eduardo Tavares Mendes foi categórico: “O Brasil estará no terceiro mundo em dez anos se não cortar gastos desnecessários e não implementar a reforma previdenciária, com alguns ajustes para sacrificar menos os pobres e assim fazer o país evoluir em vários aspectos”, ressaltou.



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