Política

EM 1905, JOSÉ ZEFERINO DE MAGALHÃES INAUGURA A IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO


Carlo Bandeira
Fonte: Eli mário Magalhães E Manoel Lira

06/06/2019 14h33

A IGREJA DA PROMESSA

José Zeferino de Magalhães nasceu no bairro Cacimbas, filho de Manoel Antônio Pereira de Magalhães e Ana Maria da Silva Valente. Seu pai era sobrinho de Esperidião Rodrigues da Silva, o emancipador de Arapiraca. Casou-se com Antônia América Cavalcante Magalhães. Era comerciante e, em 1908, participou da fundação da Sociedade Musical União Arapiraquense. Em 1917, colaborou com a criação do Tiro de Guerra. Foi um dos membros da Junta Governativa até a posse de Esperidião Rodrigues como primeiro prefeito de Arapiraca. Hoje, há somente um descendente direto, Leondeny Cavalcante de Souza Guerra.

Em 1904, com Arapiraca passando por uma grande crise na saúde de seus filhos, que surgiu a figura do arapiraquense Zeferino Magalhães. Uma epidemia de febre tifóide (ou foi de peste? Os historiadores divergem) acometeu a todos, com centenas e centenas de mortes. A verdade é que morreram inúmeras pessoas, dentre elas Fabião Augusto de Macedo e Manoel Antônio Pereira de Magalhães, pai de José Zeferino de Magalhães. Fervorosos católicos, os habitantes da comunidade, ainda vila, rezavam aos santos, pedindo clemência para tanta morte e miséria.  

                Zeferino Magalhães foi um deles. Com apoio inconteste de sua esposa, América Cavalcante Magalhães, prometeu em terreno próprio, ao lado de sua residência, construir uma igreja em homenagem a São Sebastião, que diziam ser o protetor da humanidade contra a fome, a peste e a guerra.

                Para ajudá-lo na tarefa, ou promessa, Zeferino contratou o pedreiro Antônio Marroquim. Teve, também, a ajuda da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, da Cruzada, dos Marianos e das Filhas de Maria, todos da igreja matriz de Nossa Senhora do Bom Conselho, que, cantando e rezando benditos, carregavam tijolos, barro, areia e pedras. Cada irmandade religiosa assumia os trabalhos por uma semana.

                Após a conclusão da igrejinha, quem deveria administrá-la? Arapiraca ainda não era paróquia. Aliás, a diocese de Penedo ainda não existia, pois somente foi criada em 03 de abril de 1916, pela Bula “Catholicae Eclesiae Cura”, do Papa Bento XV, sendo desmembrada da então Diocese de Alagoas (atual Arquidiocese de Maceió).  Integra hoje, junto com a Arquidiocese de Maceió e a Diocese de Palmeira dos Índios, a Província Eclesiástica de Maceió, pertencente ao Regional Nordeste II. Sua superfície é de 8.905 Km2. Portanto, a Igreja de São Sebastião veio antes da Diocese de Penedo, cuja Paróquia de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Arapiraca, foi criada em 1944. O primeiro pároco, Epitácio Rodrigues, foi celebrante desde 1935 até 1979, quando renunciou por idade avançada.

    Uma das figuras mais representativas da sociedade do passado, era a matriarca Maria Lima de Oliveira, com suas origens nas tradicionais familias com raízes em Arapiraca. Era filha do casal Rosendo Lima Vieira – Cristina de Oliveira, das mais antigas famílias do bairro de Cacimbas, onde nasceu em 17 de janeiro de 1905, portanto, um ano após a construção de minha casa; e cresceu ao lado das irmãs Aldália e Júlia Lima.?Maria Lima, como era mais conhecida, casou-se com José Francelino da Silva e dessa união nasceu uma numerosa prole: Mário, Vandete, Valfrido, Elza, Isabel, José, Lourdes, Julieta e Severina. ?Figura altiva, dotada de muita simpatia, fácil comunicação e capacidade de liderança, Maria Lima foi a primeira mulher a atuar na Câmara de Vereadores, escolhida pelo prefeito Guilherme Araújo, para compor o grupo de conselheiros encarregados de auxiliar a administração, mantendo contatos com a comunidade, numa época em que não havia vereadores.?Foi assim que Maria Lima conseguiu se destacar na gestão de 1936 – 1937, desempenhando o seu papel ao lado de José Lúcio da Silva, Fausto Correia, Amancio Barbosa, Josué Messias e outros líderes daquela fase, desenvolvendo um trabalho voluntário, prestando relevantes serviços tanto no centro urbano como nos distritos onde havia mais carências, principalmente na área de educação, onde a administração mantinha as chamadas escolas isoladas

 

A igreja e suas lembranças

A lembrança que tenho daquela igrejinha sempre foi de um templo para cristãos-católicos comemorarem o dia de São Sebastião todo mês de novembro. Uma igreja com somente três portas, sem entradas laterais, desbotada, pequenininha. Hoje, há duas portas, uma no meio e outra à esquerda. No lado direito, há uma janela. Mas aconchegante, porém.

    Situada na praça Marques da Silva, antes conhecida como praça Gabino Besouro, em Arapiraca, foi durante muito tempo meu ponto de encontro às tardes, entre 17 e 18 horas, quando o sol estava se pondo, com meus amigos do Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho. Lá, invariavelmente, rememoravam as histórias de muitos arapiraquenses e, principalmente, muitas de nossas estórias.

    Macarrão Paladim (o Elionaldo), Fela (o Everaldo), Mavú (o José Gomes), Pirrita (o Eraldo), Luís Carlos, Desenho (o Bartolomeu), Maurício (antes de ser o Chapéu de Couro), Bico de Bule (o Sarmento - gerente do Produban), Cachorro do Coronel (o Arlindo) eram companheiros constantes da vivência diária à porta da igrejinha de São Sebastião. Praticamente a reunião era diária, pois essas portas só abriam alguns dias de novembro, quando a zabumba dos Ambrósios alí ficava, num banco de tiras, a tocar chamando os fiéis para as comemorações do santo. Eram dois pífanos, um bumbo, um tarol e um prato. Em Arapiraca, o tríduo se realiza em novembro, apesar de as comemorações em homenagem a São Sebastião ser em janeiro. Isto deve-se devido a coincidência com as festas da padroeira da cidade, Nossa Senhora do Bom Conselho, que é em janeiro.

                Ah, como era bom assistir a Zabumba de Os Ambrósios! Principalmente, chupando limão. Às escondidas, e olhando fixamente para os tocadores de pífano. Era um Deus nos acuda! Suas bocas ficavam cheias de saliva e os sons não saíam conforme a música.

Lembranças boas assistindo os leilões de oferendas durante o tríduo festivo. Eram Toinho Cavalcante e Lourenço Chaves, leiloeiros oficiais das festas de São Sebastião, a gritarem “quem dá mais? É galinha de capoeira, gordinha, gordinha. Vale cinco cruzeiros. É prá ajudar o santo. Vamos, minha gente, quem dá mais?

Eram galinhas, galos, bode, cabra, cachos de banana, abóboras, melancias, até ovos. Uma festa!

                A Igreja de São Sebastião, afora os festejos daqueles tempos, somente servia para o deleite das histórias, muitas delas de trancoso, e dos dias e noites de tocadas do zabumba dos Ambrósios. No resto, quase sempre fechada no ferrolho, era para nós todos um mistério. Sabia até que era a Igreja de São Sebastião. De quem? Do mártir São Sebastião. Mártir? Que mártir! Aliás, que era mártir?

                Não tinha noção do que significava aquela palavra - mártir!

(do  livro A CASA DO SANTO, de Manoel Ferreira Lira, em pdf, ano 2017)

 

 

Igreja de São Sebastião (1905)

 

                Numa época muito difícil (ano de 1904) surgiu uma epidemia em toda a Arapiraca. Uns diziam ser bexiga preta, outros a peste bubônica; outros, acreditavam ser “castigo” dos céus. A verdade é que morreram inúmeras pessoas, dentre elas Fabião Augusto de Macedo e Manoel Antônio Pereira de Magalhães, pai de José Zeferino de Magalhães. Católica, a comunidade arapiraquense rezou muito e “fez promessa” a São Sebastião. Zeferino e sua esposa, América Magalhães cederam terreno para construção de uma igreja em homenagem ao santo, que ficou sob sua responsabilidade. Contratou o pedreiro Antônio Marroquim como mestre de obra que a finalizou em 1905. Zeferino teve a ajuda importante da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus e das Filhas de Maria, pertencentes a Igreja do Bom Conselho.

Após Zeferino Magalhães, que foi com a família para o Rio de Janeiro, a igreja passou a ser administrada por Maria de Oliveira Lima; depois, sua filha, Maria de Lourdes Lima. Os festejos a São Sebastião são realizados no mês de dezembro, para não concorrer com as festividades a Nossa Senhora do Bom Conselho, que vão de janeiro a fevereiro. O sucessor vivo mais próximo de Zeferino Magalhães (neto) é Leondeny Cavalcante de Souza Guerra(Deny Guerra). Hoje, a igreja está sob a responsabilidade da paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho e é considerada monumento material e histórico de Arapiraca (A foto, destoada, é de 1946).

 

morações em homenagem a São Sebastião ser em janeiro. Isto deve-se devido a coincidência com as festas da padroeira da cidade, Nossa Senhora do Bom Conselho, que é em janeiro.

                Ah, como era bom assistir a Zabumba de Os Ambrósios! Principalmente, chupando limão. Às escondidas, e olhando fixamente para os tocadores de pífano. Era um Deus nos acuda! Suas bocas ficavam cheias de saliva e os sons não saíam conforme a música.

Lembranças boas assistindo os leilões de oferendas durante o tríduo festivo. Eram Toinho Cavalcante e Lourenço Chaves, leiloeiros oficiais das festas de São Sebastião, a gritarem “quem dá mais? É galinha de capoeira, gordinha, gordinha. Vale cinco cruzeiros. É prá ajudar o santo. Vamos, minha gente, quem dá mais?

Eram galinhas, galos, bode, cabra, cachos de banana, abóboras, melancias, até ovos. Uma festa!

                A Igreja de São Sebastião, afora os festejos daqueles tempos, somente servia para o deleite das histórias, muitas delas de trancoso, e dos dias e noites de tocadas do zabumba dos Ambrósios. No resto, quase sempre fechada no ferrolho, era para nós todos um mistério. Sabia até que era a Igreja de São Sebastião. De quem? Do mártir São Sebastião. Mártir? Que mártir! Aliás, que era mártir?

                Não tinha noção do que significava aquela palavra - mártir!

(do  livro A CASA DO SANTO, de Manoel Ferreira Lira, em pdf, ano 2017)

 

Igreja de São Sebastião (1905)

 

                Numa época muito difícil (ano de 1904) surgiu uma epidemia em toda a Arapiraca. Uns diziam ser bexiga preta, outros a peste bubônica; outros, acreditavam ser “castigo” dos céus. A verdade é que morreram inúmeras pessoas, dentre elas Fabião Augusto de Macedo e Manoel Antônio Pereira de Magalhães, pai de José Zeferino de Magalhães. Católica, a comunidade arapiraquense rezou muito e “fez promessa” a São Sebastião. Zeferino e sua esposa, América Magalhães cederam terreno para construção de uma igreja em homenagem ao santo, que ficou sob sua responsabilidade. Contratou o pedreiro Antônio Marroquim como mestre de obra que a finalizou em 1905. Zeferino teve a ajuda importante da Irmandade do Sagrado Coração de Jesus e das Filhas de Maria, pertencentes a Igreja do Bom Conselho.

Após Zeferino Magalhães, que foi com a família para o Rio de Janeiro, a igreja passou a ser administrada por Maria de Oliveira Lima; depois, sua filha, Maria de Lourdes Lima. Os festejos a São Sebastião são realizados no mês de dezembro, para não concorrer com as festividades a Nossa Senhora do Bom Conselho, que vão de janeiro a fevereiro.

O sucessor vivo mais próximo de Zeferino Magalhães (neto) é Leondeny Cavalcante de Souza Guerra(Deny Guerra). Hoje, a igreja está sob a responsabilidade da paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho e é considerada monumento material e histórico de Arapiraca (A foto, destoada, é de 1946).

Foto: Divulgação
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