Política

PSL de Bolsonaro entra em crise após descartar Pedro Carlos da disputa eleitoral em Arapiraca


Fernando Vinicius
Fonte: Redação

07/11/2019 09h47

O diretório municipal do Partido Social Liberal (PSL) em Arapiraca faz campanha nas redes sociais para os pré-candidatos do partido à prefeitura do Capital do Agreste alagoano. A decisão de expor publicamente os nomes do advogado Cláudio Canuto para prefeito e do médico e oficial do Exército Nuzamário Brito, vice da chapa ‘puro sangue’, enfrenta resistência dentro da agremiação partidária que ganhou notoriedade com a eleição de Jair Bolsonaro e a formação da segunda maior bancada parlamentar no Congresso Nacional.
O desconforto com o apoio do diretório municipal aos pré-candidatos aparece no noticiário local e é confirmado pelo tesoureiro-geral do PSL arapiraquense, o advogado Pedro Carlos Cavalcante. Atendendo solicitação do Jornal de Arapiraca, ele esteve na redação do impresso e falou sobre os motivos que o levam a praticamente decidir por sua saída do partido, com sentimento de indignação.
Pedro Carlos conta que logo após a eleição do Presidente Jair Bolsonaro – candidato mais votado em Arapiraca no primeiro turno das eleições presidenciais -, o diretório municipal promoveu encontros internos entre os dirigentes. “Nessas reuniões, meu nome era colocado como pré-candidato pelo PSL”, afirma o advogado, mencionando o presidente local, o policial civil Abelardo Silva, como um dos apoiadores da proposta.
“Democracia zero”
“De repente, no mês de julho passado, aparece no partido a figura do Cláudio Canuto. E, de uma forma estranha, no período de julho a agosto, os patriotas do partido começam a ser afastados. Netinho Cavalcante, André Pepes, os vereadores sendo colocados para escanteio”, relata sobre a situação que envolve os parlamentares Edvânio do Zé Baixinho e Márcio Marques, políticos eleitos pelo PSL e supostamente excluídos das eleições 2020, pelo menos na mesma sigla, por decisão do diretório municipal feita de “forma acovardada, por pessoas despreparadas e democracia zero”, ressalta o entrevistado.
O tesoureiro-geral do PSL arapiraquense diz que o expurgo ocorre de forma velada, sem conversa olho no olho, amparada em discussões nas redes sociais, muitas vezes desencadeadas com informações sem fundamento. Nesse aspecto, Pedro Carlos critica até o presidente do diretório estadual do partido, Flávio Moreno, participante de grupos de Whatsapp que deveriam ter maior controle por parte de Moreno para evitar situações como a que fez o comunicador André Pepes declarar sua decisão de abandonar a sigla. “A falha do Flávio Moreno é essa, não se reunir com o partido em Arapiraca para acalmar os ânimos e determinar o que o partido vai fazer”.
No caso de Pedro Carlos, a indicação de novo tesoureiro-geral para o diretório, ainda que de modo informal, e sua exclusão dos cinco grupos de troca de mensagens instantâneas administrados por dirigentes do PSL foi a senha para o fim da relação política com as demais lideranças bolsonaristas. Ele critica a opção imediata pelo isolamento político, quando deveriam abrir diálogo com siglas também identificadas com a direita.
Transferência de votos
“Se a pessoa se endeusa demais, achando que os votos de Bolsonaro transferem para ele aqui, está enganado”, frisa o advogado que afirma ainda manter contatos regulares com o responsável pela sigla em Alagoas, apesar de não ter mais clima para continuar a relação com os dirigentes locais.
“Eu não tenho mais como ter uma amizade de volta com esse grupo”, afirmou, ressaltando que o vereador Edvânio do Zé Baixinho está disposto a continuar no partido e pretende inclusive se tornar presidente do diretório municipal em 2020, garantindo assim sua candidatura às eleições do próximo ano pelo PSL.
Sobre seu futuro político, Pedro Carlos declarou que pretende seguir marchando com Bolsonaro, representando o bolsonarismo em Arapiraca no partido que o presidente já declarou publicamente que pretende criar.
“Eu estou indo a Recife inclusive para tratar disso com pessoas da direita que participarão do 1º Fórum dos Conservadores do Nordeste”, citando nomes como os da deputada Carla Zambelli (SP) e dos senadores Styvenson Valentim (RGN) e Eduardo Girão (CE) para fazer a ponte com o chefe do Poder Executivo Nacional.
“Não se justifica eu me manter em um partido que o Bolsonaro está saindo, a minha linha é bolsonarista, eu tenho que acompanhar Bolsonaro”, afirma Pedro Carlos, enaltecendo que seu retorno à política se deu justamente a partir da identificação com a ideologia que projetou o Presidente da República.
Presidente rebate
A reportagem do Jornal de Arapiraca manteve contato com o presidente do diretório municipal do PSL, o policial civil e bacharel em Direito Abelardo Silva. Ele rebateu as críticas e apontou os motivos das divergências.
Logo após o resultado das eleições presidenciais, Pedro Carlos utilizou as redes sociais, se apresentando como o nome da sigla para a disputa da sucessão de Rogério Teófilo. “Ele começou a gravar vídeos se proclamando pré-candidato, sem consultar o diretório municipal e nem o estadual”, relata Abelardo Silva.
O presidente do diretório estadual, Flávio Moreno, orientou que não houvesse interferência, até se encaminhar uma provável candidatura, com maior densidade de votos. “Essa situação foi passada pra ele (Pedro Carlos) que, a princípio, disse que não teria problema, mas depois não aceitou”, acrescenta Abelardo, relacionando a mudança de comportamento de Pedro Carlos com a opção do PSL local pelo advogado Cláudio Canuto como pré-candidato, na condição de cabeça de chapa.
“Não existe disputa e nem divisão dentro do partido, Pedro Carlos não tem grupo e está sozinho. O PSL está 100% com o Dr. Cláudio Canuto e o Dr. Nuzamário Brito, não existe a menor chance dele (Pedro Carlos) ser escolhido”, afirma Abelardo Silva, apontando a escolha com base em pesquisas de consumo interno da sigla.
Vereadores
Sobre os vereadores da sigla, Abelardo Silva explica que Edvânio do Zé Baixinho propôs trazer mais dois edis para o partido, ambos eleitos com votação menor do que a dele. A estratégia que poderia beneficiar Edvânio foi rejeitada pelo diretório. “Edvânio não se adaptou a ideologia do partido, não vestiu a camisa do PSL e dizia que aguarda a janela eleitoral do próximo ano para decidir o que fazer”, argumenta o candidato a deputado federal que teve 8.689 votos em 2018.
Márcio Marques também teria demonstrado falta de interesse em continuar no PSL, alegando fazer parte de um grupo de suplentes que se prepara para criar um grupo político.
Além disso, a presença de políticos com mandato inibia o ingresso de mais filiados com perfil bolsonarista no PSL, pessoas que fizeram campanha para Bolsonaro e valorizam o bolsonarismo, algumas com potencial para concorrer nas eleições proporcionais. Esse trabalho de renovação exige atender normas da cartilha bolsonarista.
Uma dessas características é apoio incondicional ao presidente do Brasil. “Toda organização tem regras e hierarquia e André Pepes não atendia as regras do grupo, e a função dele era criticar”, razão do desentendimento entre ele e Aberlado Silva, que alega ainda ter sido desrespeitado no debate em grupo de whatsapp que resultou na saída do comunicador, por decisão do próprio André Pepes.
Em relação ao provável abandono do líder maior do bolsonarismo do PSL, Abelardo Silva já antecipa que os seguidores da ideologia irão para onde Bolsonaro for. Considerando que Pedro Carlos Cavalcante já se articula para seguir a mesma trilha, teremos um novo embate entre os ex-integrantes do PSL para decidir quem será o legítimo representante bolsonarista na política arapiraquense.

Foto: Divulgação


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