Política

Caso Pinheiro: retirada de moradores das encostas do Mutange ainda é incerta; famílias temem desastres


Marcos Felipe
Fonte: Redação

07/11/2019 10h12

Após a divulgação do laudo final do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) apontando a urgência para a mudança dos moradores da região das encostas no bairro do Mutange, começou uma luta contra o tempo e o medo de um possível desastre.
O problema é que até o momento as famílias continuam no mesmo local aguardando uma solução e o cronograma para a mudança.
No mês passado, a Prefeitura de Maceió iniciou o cadastramento das pessoas da região e toda a documentação foi encaminhada para a Caixa Econômica, que teria o prazo de dez dias para fazer a liberação.
As famílias continuam em suas casas, o que preocupa a Associação dos Moradores do bairro do Mutange. “Iremos participar de uma reunião nos próximos dias em Brasília para expor o que está acontecendo. Outras partes do bairro estão sofrendo com as rachaduras, mas a parte da encosta é o que mais nos preocupa, inclusive embaixo dela, passa a linha do trem”, disse Arnaldo, representante da associação.
Minha Casa, Minha Vida
Entramos em contato com a Prefeitura de Maceió para saber como anda a situação para a mudança definitiva dessas famílias e fomos informados que o Executivo está cumprindo as exigências do Governo Federal para destinar as unidades habitacionais construídas pelo Programa Minha Casa Minha Vida às famílias das encostas do Mutange e que trabalha para o mais rápido possível encerrar a tramitação de autorização.
A Prefeitura ainda aguarda a autorização do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para liberar os apartamentos para atender, sem custos, aos moradores da encosta do Mutange. A área é considerada a de maior risco no Mapa de Setorização de Danos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e deverá ser evacuada.
Todo o processo está sendo acompanhada pelo Ministério Público e a Defensoria Pública. Segundo a prefeitura, o objetivo é possibilitar que essas instituições de controle e fiscalização vejam a qualidade dos imóveis.
Valdenice Rocha da Silva é moradora do Mutange há 20 anos. Ela fez o cadastro em julho e está animada com a possibilidade de se mudar para o residencial. “Muito bonito o local. Esperamos que tudo dê certo. Nunca pensei que poderia morar em um apartamento desses. Eu moro em uma área de risco, perto da barreira e sempre que chovia era aquela preocupação”, disse. “Quero colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquila, sem me preocupar. Na minha casa, eu e meus filhos estávamos dormindo na sala por causa das chuvas. A gente não vê a hora de dormir com sossego,” afirmou.
Além das unidades habitacionais, a região já está equipada com Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei), Escola Pública, Posto de Saúde e Centro de Referência de Assistência Social (Cras), como observa o defensor público da União, Diego Alves. “O objetivo da vista foi trazer as instituições que estão trabalhando em prol da comunidade para visitar os equipamentos públicos que foram construídos e que serão destinados especialmente aos moradores da área de risco do Mutange”.
“As pessoas ficam ansiosas e querem uma resposta rápida. A primeira informação é de que a mudança ocorreria mês passado e nada foi feito”, completou Arnaldo.
No fim do mês passado, o prefeito Rui Palmeira esteve em Brasília, com o ministro Gustavo Canuto, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), para tratar dessa situação. Na reunião, ficou definido que assessores técnicos do Ministério virão a Maceió para as tratativas de realocação dessas famílias para residenciais do programa Minha Casa Minha Vida construídos em Maceió.
A Prefeitura segue monitorando e acompanhando a situação dos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto, que estão em estado de calamidade pública. Segundo estudos técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), as áreas de encosta do Mutange e do Jardim Alagoas, identificadas pela cor rosa claro no Mapa de Setorização de Danos da Defesa Civil, deve ser totalmente evacuada por apresentar maior instabilidade de solo.

 



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