Política

Gestão de Girau do Ponciano é denunciada na Polícia Federal e Ministério Público Estadual


Fernando Vinicius
Fonte: Redação

12/11/2019 11h23

O que você faria se encontrasse seu nome numa relação de pessoas que receberam dinheiro de uma prefeitura, conforme dados publicados no portal de transparência do município, sem ter prestado nenhum tipo de serviço e nem ter recebido recurso financeiro ou qualquer outro tipo de vantagem?

A resposta fica por conta do que cada um considera correto, mas na cabeça do advogado Luís Barros Silva e do profissional autônomo Marcio de Almeida de São José a decisão tomada foi levar a situação ao conhecimento de setores da segurança pública e da justiça.

Munido de cópias da alegada fraude e também de documentos protocolados na Polícia Federal, Ministério Público Estadual e Polícia Civil, os dois estiveram na redação do Jornal de Arapiraca para denunciar a situação que pode envolver outras pessoas em um suposto esquema de desvio de recursos na Prefeitura de Girau do Ponciano.

Portal da Transparência

Foi no portal da transparência da administração pública do município localizado na região Metropolitana do Agreste alagoano que Luís Barros e Márcio de Almeida encontraram seus nomes, ambos relacionados com empenhos de serviços que afirmam não ter prestado.

No caso do advogado, o histórico publicado no portal da transparência aponta para uma justificativa genérica, descrita como “empenho para atender a despesas com locação de ben (sic) referente aos serviços prestados” no exercício 2018. O valor registrado no documento de número 64143 é de R$ 22.652,39 (vinte e dois mil, seiscentos e cinquenta e dois reais e trinta e nove centavos).

“Eu nunca prestei qualquer serviço à prefeitura de Girau, nem agora e nem em outra gestão. Por isso eu procurei o CISP para fazer o B.O. porque eu não quero amanhã, quem sabe, ter meu nome envolvido em uma suposta fraude”, explicou Luís Barros Silva sobre a denúncia que registrou no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Girau do Ponciano na manhã de terça-feira, 05 de novembro.

No local onde funciona a 52ª Delegacia de Polícia Civil, o advogado relatou que seu nome e dados pessoais foram “utilizados indevidamente”, conforme consta na ocorrência. Ele desconfia que a administração de Girau teve acesso a seus dados porque representa, na forma da lei, cerca de 200 clientes em processos movidos contra a prefeitura, em sua maioria de questões trabalhistas.

Polícia Federal

Já Márcio de Almeida recorreu à Polícia Federal com objetivo de solicitar a apuração da suposta “corrupção, fraude e desvio de dinheiro” em seu nome, segundo registra no documento datado de 29 de outubro deste ano, no qual denuncia o prefeito David Ramos de Barros e a Secretária Municipal de Finanças Ana Barros.

Para justificar o pedido de investigação, Márcio relata que seu nome consta no portal da transparência da prefeitura de Girau do Ponciano com empenho no valor de R$ 29.950,00 (vinte e nove mil e novecentos e cinquenta reais) para “fornecimento de materiais”. O registro na ferramenta eletrônica tem número 64147 e consta como referente ao 4º bimestre de 2018.

O profissional autônomo que informa estar em atividade no município de Teotônio Vilela e que era contratado no governo anterior a de David Barros, mas afirma que nunca vendeu ou forneceu qualquer tipo de material para a prefeitura de Girau do Ponciano a partir de 2017, em seu nome, e que também não recebeu pagamento, apresentando cópia de extrato bancário para fundamentar a negativa na PF.

“A suspeita é que fizeram tal processo em meu nome e o pagamento caiu em nome de alguém diretamente ligado ao prefeito David Barros”, aponta Almeida, acrescentando no registro apresentado na Polícia Federal que existem outros processos na prefeitura de Girau, a partir de 2017, semelhantes ao que identificou contra si, todos “a título de prestadores de serviço ou ajuda de custo em valores elevados”.

No mesmo dia em que esteve na PF, Márcio de Almeida foi até a sede do Ministério Público Estadual, em Maceió, onde repetiu o mesmo relato na Ouvidoria, manifestação registrada com o número 11.2019.00002156-8.

A reportagem do Jornal de Arapiraca tentou manter contato com representantes do governo de Girau do Ponciano para obter um posicionamento, mas não obteve sucesso.



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