Política

JÚLIO CEZAR USA MÍDIA PARA DESMORALIZAR EX-SERVIDOR QUE REBATE COM ATAQUES


Fernando Vinicius
Fonte: Redação

06/02/2020 10h03

O prefeito de Palmeira dos Índios está no centro de mais uma polêmica criada por ele mesmo. Durante entrevista ao radialista Anselmo Roberio (Rádio Palmeira FM), Júlio Cezar atacou a oposição e incluiu entre seus adversários políticos “chumbetas de jornalistas” e um “engenheiro desempregado que passava fome na Austrália”. 

Apesar de omitir o nome do retirante em solo estrangeiro durante a declaração na emissora de rádio, a caracterização feita pelo prefeito que busca a reeleição se encaixa somente em uma pessoa residente em Palmeira dos Índios: o engenheiro civil Fernando Tavares, profissional que prestou serviço no governo municipal, mesmo em curto espaço de tempo, inclusive no setor da Controladoria Geral da Prefeitura de Palmeira dos Índios.
“Essas pessoas não querem o bem de Palmeira, elas torcem para que tudo dê errado, são aquelas do quanto pior, melhor”, diz Júlio Cezar no programa levado ao ar na manhã de sexta-feira, 31 de janeiro.

Mau caráter

Na mesma entrevista, ele chama a atenção da população de Palmeira para o que classifica como “trama maquiavélica de pessoas ligadas à oposição e de assessores pagos por essas pessoas, gente de má índole e mau caráter, que ataca não só o governo, como a minha família”.
O prefeito diz ainda que sabe quem são essas pessoas que estariam a serviço de seus adversários. Júlio Cezar cita os tais “chumbetas de jornalistas” e o engenheiro que passou fome fora do Brasil, conforme declarou, acrescentando que demitiu alguns dos supostos desafetos por incapacidade ou irresponsabilidade que recebiam ajuda sua ou da prefeitura, apoio que “deixou de dar” por se tratar de “gente ruim”.
Surpreendido com as declarações feitas pelo prefeito de Palmeira dos Índios, Fernando Tavares vestiu a carapuça do “engenheiro desempregado que passava fome na Austrália”, considerando ser o único da cidade com a formação profissional citada e passagem recente no referido país, o engenheiro publicou vídeo que repercutiu nas redes sociais.
Fernando Tavares informava que iria conceder entrevista na Vitório FM na manhã de segunda-feira, 03 de fevereiro.

A ida para a emissora que não foi o veículo que originou a polêmica tinha como fundamento o comentário do radialista Marcelo Lima sobre o mesmo tema.

Apesar do agendamento prévio, a entrevista não aconteceu e nem ocorrerá, conforme revelou Fernando Tavares à reportagem do Jornal de Arapiraca.

Mordaça
O engenheiro civil disse que tentou espaço em outras emissoras de Palmeira dos Índios, mas não conseguiu porque o clima de perseguição na cidade impõe que está sob ‘lei da mordaça’, onde as pessoas têm medo se opinar por receio.
Ao Jornal de Arapiraca, ele afirma ser filho, de coração, de Palmeira dos Índios e nunca esteve desempregado, trabalhando na propriedade do pai – situada no município de Minador de Negrão desde seu retorno do exterior – e atualmente atuando em sua área de formação nas cidades sertanejas de Delmiro Gouveia e Canapi.
“Eu amo tanto Palmeira dos Índios que saí de Adelaide, cidade da Austrália com a melhor qualidade de vida do mundo, não porque estava passando fome ou necessidade, eu vim porque sempre tive o sonho de morar em Palmeira dos Índios e tenho orgulho de falar que sou de família palmeirense e uma família muito unida”.
Fernando Tavares diz que foi atacado, de forma covarde, por Júlio Cezar. “Sua atitude foi rude, mesquinha, sem educação e digna de pena”, acrescenta, frisando que o gestor deve servir de espelho para a população, principalmente para jovens e crianças.



Histórico
Formado pela FAT (Faculdade de Tecnologia de Alagoas), Fernando Tavares conseguiu ingressar em programa de intercâmbio que o levou para o país citado por Júlio Cezar. Em dezembro de 2016, o engenheiro retorna ao Brasil e sua convivência familiar na região do Agreste alagoano.
Por intermédio de amigo comum, apresenta sua qualificação profissional para trabalhar na Prefeitura de Palmeira dos Índios. Em junho de 2017, é nomeado por Júlio Cezar e assume a gerência de infraestrutura educacional da Secretaria de Educação.
“A minha função principal era visitar todas as escolas da rede municipal e gerar uma relatório sobre a situação de cada uma”, explica Fernando Tavares ao Jornal de Arapiraca.
Em novembro de 2017, ele é designado para fazer o levantamento do antigo Fórum do Tribunal de Justiça de Alagoas, em Palmeira dos Índios, imóvel que seria recuperado por determinação do gestor que teria sido grosseiro, com o engenheiro civil, durante um evento de cunho familiar.
“Ele veio me tratar com falta de educação, diante de meus familiares, e eu não aceitei. Por isso pedi demissão no outro dia, não me orgulho disso, mas não é verdade que eu fui demitido”, afirma Tavares sobre o episódio ocorrido logo após o carnaval de 2018.
Palmeira do Lero
Sobre as declarações de Júlio Cezar, Fernando Tavares acredita que ele está sendo induzido a acreditar que o perfil Palmeira do Lero (Instagram) é de sua responsabilidade, o que nega com veemência.
De caráter geral, o perfil posta críticas contra o governo municipal, mas também dispara contra vereadores e também políticos da oposição.
Além disso, Fernando Tavares afirma ter amizade com o vereador Toninho Garrote e outros edis de Palmeira dos Índios, o que pode ser interpretado de forma equivocada. Por fim, ele afirma que não é político e nem tão pouco candidato a nada. A reportagem manteve contato com a assessoria do prefeito Júlio Cezar para saber se ele iria se posicionar, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.

 

RESPOSTA JÚLIO CEZAR

A reportagem manteve contato com a assessoria do prefeito Júlio Cezar e obteve como resposta que o prefeito “fez um desabafo das pessoas que querem desqualificar o grande trabalho que a gestão dele está fazendo em Palmeira dos Índios. Tem gente a serviço da oposição para disseminar o caos. Caos que não existe. Só olhar pra Palmeira de ontem e a Palmeira de hoje. Querem a qualquer preço tomar o poder. Mas o povo não é besta e vai dar a resposta”, afirma, acrescentando que o governo não vai “mais entrar nesta polêmica”.



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