Saúde

Cosems investiga vacinação de 305 crianças antes de autorização



22/01/2022 10h46

O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Alagoas (Cosems/AL) está levantando junto aos municípios a suspeita de que 305 crianças e adolescentes alagoanos teriam sido imunizados contra a Covid-19 com vacinas diferentes e em período anterior ao autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em nota técnica, o Cosems Alagoas estranha a hipótese, tendo em vista que cada município tem sua senha e acesso restrito aos dados. “O Estado já constatou inconsistências no sistema do MS [Ministério da Saúde] e em breve teremos uma resposta oficial sobre o assunto. A expectativa é de que o MS solucione estas divergências com o DataSUS, responsável pela construção e manutenção do sistema”, disse.

Segundo a tabela divulgada pela Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), Alagoas teria vacinado 305 crianças e adolescentes com imunizantes não autorizados pela Anvisa para as faixas etárias. De acordo com o documento, 79 pessoas tomaram vacina da AstraZeneca, sendo 6 com idades de 0 a 4 anos, 10 com idades de 5 a 11 anos e 63 com idades de 12 a 17 anos. Outras 143 pessoas teriam tomado as doses da vacina Coronavac, sendo uma com idade de 0 a 4 anos, 16 com idade de 5 a 11 anos e 126 com idade de 12 a 17 anos. Um adolescente com idade entre 12 e 17 anos teria recebido a dose da Janssen. E 82 crianças teriam sido vacinadas com dosagem de adulto da Pfizer, sendo 4 com idade de 0 a 4 anos e 78 com idade de 5 a 11 anos.

A promotora Louise Teixeira, da Promotoria de Saúde Pública Coletiva do Ministério Público Estadual (MP/AL), informou por meio da assessoria de comunicação que até o momento não houve nenhum registro protocolando alguma representação a respeito do assunto.

“O que se tem na promotoria é um procedimento instaurado para acompanhar a vacinação de uma forma geral, se está sendo aplicada, se o estado está entregando as doses, mas especificamente sobre a imunização de crianças antes do prazo não chegou nada”, colocou.

SAÚDE

Na última quarta-feira (19), o secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, determinou a investigação imediata do caso. Em uma publicação em suas redes sociais, ele destacou que pode ter sido um erro causado por uma inconsistência no sistema. “Uma recém-nascida alagoana está com registro de vacinação contra Covid-19 em Alagoas e outros dois estados, segundo registro dos dados divulgados pela Rede Nacional de Dados da Saúde”.

“Boa noite, pessoal! Após a divulgação de que 305 crianças teriam sido vacinadas em Alagoas antes da autorização da Anvisa e com imunizantes diferentes do permitido, informo que determinei a imediata apuração das informações junto aos municípios apontados, ao tempo em que reafirmo o nosso compromisso com a vacinação contra a Covid-19 e a total confiança nos profissionais de saúde. Apresentarei à sociedade o resultado da apuração em respeito à transparência que tenho conduzido esse enfrentamento”, explicou o secretário.

Secretário não descarta possibilidade de falha no abastecimento dos dados

De acordo com o secretário, o levantamento já está sendo providenciado pelos técnicos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) em Alagoas e será encaminhado para Brasília. Alexandre Ayres não descarta a possibilidade de ter acontecido falha humana no abastecimento dos dados de vacinação ou até mesmo da falha ter acontecido após o ataque hacker que o Sistema de Saúde brasileiro sofreu em 2021.

Passados dois dias do anúncio, a reportagem tentou ouvir a Sesau nesta sexta-feira (21), que se limitou à mesma informação já dita por Alexandre Ayres. “A Sesau determinou uma investigação e após a conclusão vai apresentar à sociedade”.

O Ministério Público Federal em Alagoas (MPF/AL) também foi procurado, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.

A suspeita não se limitou somente ao estado de Alagoas, Advocacia-Geral da União (AGU) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), na última terça-feira (18), para questionar dados que apontam possível vacinação equivocada de 57.147 crianças e adolescentes em todo país na imunização contra a Covid-19. Segundo o advogado-geral da União, Bruno Bianco, os números foram retirados da Rede Nacional de Dados da Saúde, na qual estados e municípios são obrigados a registrar informações inseridas em todos os cartões de vacinação.

A Anvisa aprovou em dezembro o uso da vacina produzida pelo consórcio Pfizer-BioNTech, a Comirnaty, contra a covid-19 em crianças com idade de 5 a 11 anos. De acordo com o gerente-geral de Medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, com base na totalidade de evidências científicas disponíveis, o imunizante, quando administrado no esquema de duas doses, pode ser eficaz na prevenção de doenças graves, potencialmente fatais e de condições que podem ser causadas pelo SARS-CoV-2. As análises contaram com a participação de diversos especialistas, tanto da Anvisa como de outras entidades.

Crianças de 5 a 11 anos com deficiência permanente e/ou comorbidades em Maceió já começaram a ser vacinadas desde o último dia 17, assim como também crianças a partir de 10 anos sem comorbidades.

Fonte: Tribuna Independente



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