Turismo

Arapiraca e sua história nas antigas festas de Carnaval


Redação

27/10/2017 11h05

Há quem diga que Arapiraca não tenha tradição de festa carnavalesca. Mas também, há quem se recorde de uma época de ouro na tradição da folia de carnaval. O ponto de vista depende da década de nascimento de quem afirma.

Na verdade, o município passou pelas duas fases, em diferentes épocas. Nas décadas de 60 e 70, a população de Arapiraca viveu um período de tradição de realização da festa de momo, reconhecida em todo o estado. E lembrada com saudosismo pela turma que participou desse momento festivo na cidade.

Conversando com arapiraquenses que viveram a juventude nas referidas décadas, é fácil perceber que se tratava de um momento único, rico em boas lembranças, que o tempo não conseguiu apagar. E que seus autores não querem esquecer. Para isso, há quem guarde fotos, escritos e, também, quem faça páginas nas redes sociais para preservar a memória e reunir os amigos.

Essa fase durou aproximadamente duas décadas. Com destaque para a festa de rua, que se entendia para casas de famílias tradicionais da cidade e bailes no clube. Depois disso, Arapiraca passou por um longo intervalo sem realizar a folia carnavalesca. Uma fase em que as famílias começaram a cultivar o hábito de passar o carnaval nas praias. E a cidade, considerada ideal para quem quer ficar distante da folia.

E para suprir essa carência de festa carnavalesca, o município apostou na realização da micareta, o carnaval fora de época, a Micaraca, que puxou milhões de foliões, durante um período de 13 anos, de 1992 a 2004.

Depois dessa fase, a cidade voltou a realizar a folia de rua. Mas, dessa vez, ao contrário do que aconteceu em décadas passadas, que a festa acontecia durante o carnaval, a proposta adotada foi a de prévia, realizada semanas antes do período momesco.

E é somente essa festa que a juventude atual tem conhecimento. O que, para as pessoas mais antigas, é uma pena. Sendo assim, essa matéria especial, em homenagem aos 93 anos de emancipação política de Arapiraca, tenta resgatar um pouco da história das festas carnavalescas do município.

 

Os primeiros carnavais

 

 Antes de entrar em detalhes nas diferentes fases da comemoração carnavalesca, já citadas, vale ressaltar o registro do Zezito Guedes, escritor, folclorista e artista plástico, em seu livro “Arapiraca através do tempo”.

Ele descreve que a tradição carnavalesca começou ainda nos anos da pós-emancipação, 1925, 26 e 27, quando o município passou a organizar as primeiras festas de carnaval.

Guedes diz que, nesse período, os políticos e as figuras de destaque da sociedade intensificaram as atividades sociais da nova cidade. E promoveram concorridas festas carnavalescas, motivadas pelo caráter comemorativo da  conquista da Emancipação.

Então, nasceu o primeiro bloco carnavalesco de Arapiraca, o Canaverde, fundado pelo Cel. Zé Farias. Com direito a foliões fantasiados, estandarte – uma cana verde com um pendão – e músicas.

Em seguida, o “Mestre Jovino” fundou o bloco Bola Preta. O destaque ficava por conta da música apresentada como carro-chefe, composta pelo maestro e cantada por compositores.

O sucesso da festa foi motivando a criação de outros blocos, a exemplo do Lusitano, Garota Moderna, Padadinos, Caçadores e Sossega Leão. Alguns desses blocos chegaram a animar os carnavais de Arapiraca até o ano de 1935.  Posteriormente, numa época em que os carnavais estavam quase em recesso, em virtude de acirradas lutas políticas, Dedé Vigário criou a sua bandinha de zabumba, que tomou o seu nome, composta de veteranos boêmios da sociedade local, que saiam tocando pelas ruas de Arapiraca,  invadindo as residências dos amigos e provocando risos.

Após a criação e sucesso da Bandinha do Dedé, que posteriormente se transformou em bloco misto, e atuou no carnaval até o ano de 1978, aconteceu uma espécie de “abertura” para o surgimento de outros blocos, formados por estudantes. Entre eles, Zum Zum, Tengo Tengo, Bizorão, Bloco do Pau, Bisoleta, Corrupaco e Pingo Dela. Além das escolas de samba: 30 de Outubro, Unidos de Arapiraca e Cebolinha

 

 Bloco do Zum Zum

 

Entre os blocos, o Zum Zum foi um dos que marcou a juventude arapiraquense, nas décadas de 60 e 70. Formado por aproximadamente 60 amigos e amigas, a maioria estudantes, desfilava criatividade e irreverência, com suas fantasias e cantando as marchinhas pelas ruas da cidade, durante os dias de carnaval.

A prova disso é que alguns componentes mantém uma página no facebook, que pode ser atualizada pelos membros, e ainda promovem encontros.

“A ideia é reviver e resgatar momentos vividos na época de ouro da nossa Arapiraca”, declarou o jornalista Eli Mário Magalhães, um dos entusiastas do bloco, que fez  a festa durante 10 anos, com início em 1965.

 Ele compartilha com emoção a história do bloco e as recordações que guarda. Entre elas está a irreverência das letras das músicas cantadas pelo grupo. Durante a entrevista,  prova que a memória está perfeita e solta a voz  para apresentar uma das marchinhas. “Dona Maria / Mulé de ouro / Vale um tesouro / A sua bela famia / Gostei de vê / Sua presença / Pois a recompensa / Deus vai le dá/ Todo dia / Oia a abeia, zum-zum-zum / Oia a abeia, zum-zum-zum…”

A letra da marchinha, segundo ele, era uma homenagem às famílias que recebiam os estudantes em suas residências. Eli Mário explica que a festa carnavalesca começava de manhã e seguia até o final da tarde. No percurso, que incluíam ruas do centro, eram convidados a entrar em casas, onde os moradores os recebiam com festa e alegria.

 

“A festa, na verdade, começava bem antes do carnaval. Durava em torno de 15 dias. Era a oportunidade de reunir os amigos, muitos estudando fora da cidade, organizar os detalhes do bloco e viver uma experiência maravilhosa. Alugávamos uma casa e lá ficávamos até o dia do término da folia. E detalhe,  na festa não havia uso de drogas ilícitas, somente bebida alcoólica, e todos se divertiam”, explico

Foto: Prefeitura de Arapiraca
Foto: Prefeitura de Arapiraca


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