Turismo

Ex-secretária culpa gestão atual pelo abandono do Arapiraquinhas


Roberto Gonçalves
Fonte: Redação

24/11/2017 11h33

Com o objetivo de estimular e incentivar a leitura entre as crianças e jovens, a Prefeitura de Arapiraca, por meio da Secretaria Municipal de Educação, implantou no ano de 2010, na gestão do ex-prefeito Luciano Barbosa (PMDB), o projeto das bibliotecas públicas digitais de bairros, carinhosamente denominadas de “Arapiraquinhas”. Inicialmente o projeto foi implantado no bairro Jardim Esperança e, por sua importância para a educação, foi desenvolvido em outros bairros da periferia de Arapiraca.

A primeira unidade foi inaugurada em agosto de 2010, para atender alunos e moradores do bairro Jardim Esperança. A segunda foi inaugurada em agosto de 2011, no bairro Novo Horizonte. As demais foram implantadas em outros bairros, a exemplo da Arapiraquinha Professora Neuza Gomes da Silva Nascimento, na Praça Antônio Oliveira da Silva, s/n, Jardim Esperança; Arapiraquinha Professor Erasmo Soares de Araújo, na Praça Walfrido Oliveira Lima, s/n, Primavera; Arapiraquinha Professor Miguel Valeriano, Praça Antônio Barbosa, s/n, Novo Horizonte; Arapiraquinha Claudenice de Oliveira Pimental, Praça Antônio Juvino da Silva, s/n, Canaã; Arapiraquinha Professor Aluizio Gomes Barbosa, Rua Salvelina Leite, s/n, Planalto; Arapiraquinha Profª Maria Magdalena Filha, Praça Higino Vital Barbosa, s/n, Canafístula. As Arapiraquinhas foram construídas com recursos próprios do município.

Rico acervo

Cada biblioteca digital de bairro passou a contar, a partir da implantação, de um acervo com três mil títulos, incluindo livros contendo a história de Arapiraca, bem como de periódicos, acervos em braile para leitura de pessoas portadoras de deficiência visual, além de salas de acesso à internet com nove computadores em cada uma delas, contendo CDs, DVDs, mapas, jogos e bebeteca para abrigar recém-nascidos a partir de seis meses de vida.

Com o sucesso da iniciativa, outras comunidades passaram a receber as bibliotecas digitais de bairro, a exemplo da implantação da terceira unidade, no Povoado Canaã, da quarta unidade, no bairro Canafístula e depois, mais uma Arapiraquinha, que funciona no bairro Planalto. No início da gestão da prefeita Célia Rocha, no ano de 2013, a cidade ganhou mais duas, sendo uma na Vila São José e outra no Povoado Bananeiras.

Projeto despertou interesse da Ufal e Uneal

O projeto das Arapiraquinhas como biblioteca digital e incentivo à leitura despertou a atenção de professores e alunos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e até de pesquisadores da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP) e da Fundação Bill Gates.

As bibliotecas públicas digitais de bairro estão, atualmente, abandonadas, cercadas de lixo por todos os lados - a exemplo da unidade dos bairros Planalto e Primavera.

Na época, a coordenadora das Arapiraquinhas, professora-mestra Eliane Bezerra, e sua equipe de trabalho foram convidados para dar palestra na Faculdade de Ensino Regional Alternativa (Fera). A iniciativa partiu da professora Luciana Monteiro, que lecionava a disciplina Metodologia de Ensino da Língua Portuguesa, juntamente com um grupo de alunas do curso de Pedagogia da instituição. A professora-mestra Eliane Bezerra, apresentou a história da criação das bibliotecas digitais de bairro, durante a gestão do ex-prefeito Luciano Barbosa, atualmente vice-governador e secretário de Estado da Educação.

 

“Papo de leitura”

 

Nas Arapiraquinhas, dezenas de alunos e alunas das Escolas de Tempo Integral participavam ativamente no horário da manhã do projeto “Papo com Leitura”. As atividades de incentivo à leitura e à escrita foram desenvolvidas na biblioteca digital Professora Neuza Gomes, cujo prédio foi reformado e revitalizado pela gestão da prefeita Célia Rocha e Yale Fernandes.

Abandonadas e depreciadas pelo tempo e a ação de vândalos

NOTA

A nova gestão da prefeitura recebeu as Arapiraquinhas com diversos problemas estruturais, que até o momento não foram resolvidos por causa de irregularidades junto às empresas responsáveis pela manutenção desses locais.
Tais empresas sofreram distrato em seus contratos e responderão judicialmente pelo não cumprimento do que foi previamente acordado.
Apesar disso, as Arapiraquinhas estão funcionando de forma parcial, a exemplo da unidade presente no bairro Planalto, que é constantemente utilizado pela comunidade e por alunos da Escola Municipal João Batista.

 

As Arapiraquinhas estão abandonadas desde o final da gestão da então prefeita Célia Rocha, e continuam nesses dez meses da gestão do prefeito Rogério Teófilo (PSDB).  Além da depreciação pela ação do tempo, as bibliotecas digitais não contaram com o serviço de guardas municipais e passaram a ser alvo da ação de arrobamento e depredação dos imóveis públicos.

Vereador reivindicou reforma.

O vereador Fábio Henrique (PCdoB), em sessão ordinária da Câmara Municipal, encaminhou à prefeitura de Arapiraca uma reivindicação que solicita do prefeito Rogério Teófilo a limpeza da maioria das praças da cidade, além da reforma da Biblioteca Pública do Planalto - a Arapiraquinha. De acordo com a solicitação do parlamentar é necessário que a prefeitura ‘abra os olhos’ para a comunidade em geral, que vê suas principais praças em situação total de abandono pelo poder público municipal.

Secretária diz que abandono está relacionado a mudança de gestão

A idealizadora do projeto de leitura Arapiraquinhas, Ana Valéria Peixoto, afirmou que é triste e lamentável o abandono de um projeto de incentivo à leitura ser esquecido. Para a educadora, o problema está relacionado a mudança de gestão. Explicou que são oito Arapiraquinhas, sendo que três foram construídas na gestão da ex-prefeita Célia Rocha.

O projeto de leitura para Ana Valéria tinha foco nas crianças e nos pais de alunos que tinham participação nos encontros “Papo com Leitura”.

 Nesse projeto existia um resgate da nossa cultura popular, das nossas tradições culturais com a apresentação dos mestres da cultura resgatando as tradições, a história e o rico folclore para as crianças e adultos. “É uma grande insensatez abandonar um projeto tão importante”, lamentou Ana Valéria.

 

Arapiraquinha da Nova Esperança não oferece nenhuma estrutura

A Arapiraquinha do Bairro Nova Esperança está aberta ao público no horário das 8 às 12 h e das 14 às 17 h. No local não tem água e a energia é deficiente. O ar condicionado não funciona. A unidade é frequentada pelos alunos da Escola Municipal Claudecir Bispo, conta com 11 computadores, mas sem sinal da internet. 

Foto: Divulgação


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