Nacional

Em pronunciamento no dia de 3.158 mortes, Bolsonaro só não mentiu mais por falta de tempo


Fonte: Thiago Sampaio

24/03/2021 09h27

Após a carta conjunta em que grandes empresários pediam mudanças, em indicação de abandono ao governo, e no mesmo dia em que o Brasil pela primeira vez confirmava a morte de mais de 3 mil pessoas por covid-19, o presidente Jair Bolsonaro realizou um pronunciamento na noite desta terça (23).

E se dizendo pró-vacina, além de solidário às vítimas e suas famílias, Bolsonaro só não mentiu mais por falta de espaço.

Em seu discurso, Bolsonaro não só omitiu, como claramente mentiu sobre suas ações nesta pandemia. Afirmando que sempre apoiou todas as vacinas (enquanto na realidade, ele era crítico da “vachina”, apelido que deu para a Coronavac) e se disse solidário aos familiares de afetados pela enfermidade – e não falou em gripezinha, frescura ou mimimi.

Desta vez, o Bolsonaro que apareceu na tela foi aquele que deveria ter sido desde o começo: ciente da gravidade da pandemia, interessado na compra de vacinas e empático com os mortos. Infelizmente, com quase 300 mil vidas perdidas após tempo perdido com ‘imunidade de rebanho’, ‘tratamento precoce’ e ofensas à OMS, essa sensatez chegou tarde demais.

Mortes

O Brasil registrou nas últimas 24 horas 3.158 mortes por covid-19 e estabeleceu novos recordes. Esta é a primeira vez que o número de óbitos pela doença fica acima de três mil em toda a pandemia. Até então, a pior marca foi de 2.798 mortes, em 16 de março.

Hoje o país ainda completa uma semana com a média móvel de mortes acima de 2.000. São 22 dias seguidos em que são contabilizados mais de 1.000 mortes em 24 horas e 62 dias com média móvel acima de 1.000.

Com os dados de hoje, o Brasil se aproxima das 300 mil mortes pelo coronavírus, com 298.843 óbitos. O país também registrou 84.921 novos casos nas últimas 24 horas, chegando a um total de 12.136.540 infectados.



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