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Investimento no Brasil despenca 62% e recua para níveis dos anos 90, aponta a ONU



21/06/2021 16h15

O Brasil apresentou uma contração recorde de 62% na atração de investimentos. A ingerência no controle da pandemia da covid-19 e as incertezas sobre os destinos econômicos e políticos do país levaram o país a despencar no ranking da ONU dos locais que mais receberam recursos externos em 2020.

Segundo dados da Conferência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), o Brasil recebeu US$ 24,8 bilhões em investimentos diretos em 2020, contra US$ 65 bilhões um ano antes.

Com a queda, o Brasil perdeu espaço entre os principais destinos, foi superado por Suécia, Alemanha, Índia e Luxemburgo e, na América Latina, foi ultrapassado pelo México.

O cenário é desolador. Em 2019, a economia brasileira era a sexta no ranking da ONU de atração de investimentos no mundo. Agora, terminou o ano de 2020 apenas como o 11o maior beneficiário e perdeu a liderança na América Latina.

Os atuais níveis de investimentos no país são equivalentes ao que se registrou há 20 anos. E com as incertezas políticas e sanitárias a projeção aponta de tudo, com uma variação entre -5% e +5% no fluxo ao país. Desencontro que levou o país a ser uma referência do que não se fazer:

“Experimentando tanto a maior incidência de casos e mortes da covid-19 na região quanto uma severa contração econômica, o Brasil adotou medidas suaves de contenção da mobilidade da população e implementou transferências fiscais destinadas à população vulnerável. A crise da covid-19 desacelerou os programas de privatização em andamento devido à elevada incerteza e à menor demanda do mercado. Por exemplo, os programas no Brasil e no Vietnã sofreram retrocessos”. Nota da ONU.

Os dados revelam uma queda de fluxos de 37% para o setor de serviços, refletindo uma redução do investimento estrangeiro em serviços de eletricidade e gás (-62 por cento), comércio (-33 por cento), serviços financeiros (-68 por cento) e transporte e logística (-90 por cento).

Mundo

E a situação é localizada. Os números globais revelam que nem todos os países sofreram uma retração da mesma proporção do Brasil. Na média mundial, a queda foi de 35% e atingindo um total de US$ 1 trilhão.

Nos países ricos, a contração chegou a 58%. Mas, ainda assim, abaixo do desabamento registrado no Brasil. Para piorar, o país também destoou da média dos emergentes, que viram uma retração de apenas 8% nos investimentos.

A Ásia, que primeiro se recuperou da covid-19, chegou a registrar uma alta de 4% no fluxo e hoje representa 50% de todo o destino de investimentos. Para 2021, a previsão do informe é de que haverá uma leve recuperação no fluxo global, entre 10 e 15%.

O ranking é liderado pelos EUA, seguido por China, Hong Kong, Cingapura e Índia. Tanto Pequim como Nova Déli registraram uma alta no fluxo de investimentos nesse período.

A crise brasileira influenciou o resto do continente latino-americano. A região registrou uma contração de 45% no fluxo de investimentos, somando US$ 88 bilhões. O declínio foi o mais acentuado entre as regiões em desenvolvimento.

“O continente sofreu a maior taxa de mortalidade COVID-19 do mundo até hoje, e suas economias enfrentaram um colapso na demanda de exportação, uma queda nos preços das commodities e o desaparecimento do turismo”. Relatório da ONU.

 

 

Fonte: É assim/ Thiago Sampaio 



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