Polícia

Registro de novas armas de fogo cresce 691% em Alagoas



21/07/2021 09h26

Alagoas foi o estado que teve o maior número proporcional de novas armas de fogo registradas em 2020, com um crescimento de 691,3% em comparação com os demais estados do país. Foram 8.815 novas armas de fogo no ano passado contra 1.114 em 2019. Bem acima do índice nacional que foi de 97,1%.

Quando analisado nacionalmente, o crescimento em Alagoas foi sete vezes maior que o do país, que teve um aumento de 97,1%.

Com relação ao registro de armas de fogo que estão ativas, Alagoas encerrou 2020 com 16.604 registros, ainda de acordo com o levantamento. Eram 8.512 em 2017 e 12.731 em 2019, representando um crescimento de 95,1%.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL), Anne Caroline Fidelis, alertou ser preocupante o aumento, pois diversas pesquisas apontam que as armas são muito mais usadas, como instrumento de ataque que de defesa, “de modo que quanto mais armas na sociedade, mais violência é empregada”.

De acordo com Marcelo Medeiros, advogado criminalista, o primeiro motivo do aumento de novos registros de armas se deve às constantes alterações realizadas pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, que facilita e amplia a possibilidade e o acesso à arma de fogo por cidadãos civis.

FACILIDADES

“Essas alterações além de facilitar o acesso à arma de fogo, ampliou o número de armas que o cidadão comum pode ter. Houve um aumento expressivo também do aumento do número de CAC (Colecionadores, atiradores e caçadores), que também são chamados de atiradores desportistas”, salientou Marcelo Medeiros.

“Hoje, por exemplo, um atirador desportista pode ter até 60 armas de fogo registradas em seu nome, sendo 30 armas de calibre permitido e 30 armas de fogo de calibre restrito. Houve também o aumento do número de armas que pode ser registrada para as pessoas que possuem a posse de arma de fogo”, explicou o advogado.

Para Medeiros, o segundo motivo do crescimento de novos registros de armas de fogo em Alagoas, se deve ao comportamento de Bolsonaro em estimular as pessoas a andarem armadas. “Muitos não conseguem ter um porte ou posse de arma de fogo então, para driblar essa dificuldade de acesso a arma de fogo legalizada, acaba se filiando a um clube de tiro e começa a praticar o esporte de atirador desportista (CAC) e partir daí possui uma grande facilidade de acesso a armas de fogo e as munições. Hoje um atirador desportista pode adquirir até cinco mil cartuchos de arma de fogo por mês”, destacou.

Ainda conforme Marcelo, embora obviamente os atiradores desportistas possuam treinamentos constantes, isso por si só, já reflete no aumento considerável de registro de armas de fogo realizados em Alagoas e no Brasil.

Incentivo leva armas para as mãos de civis

 

Especialistas consultados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ressaltaram que os números mostram que uma parcela da população atendeu ao chamado do Presidente da República aumentando o arsenal civil com a aquisição de novas armas. Foram registradas 186.071 armas novas por civis (aumento de 97,1% em comparação com 2019).

Isso mostra que o incentivo dado pelo Governo Federal na forma de afrouxamento dos mecanismos de controle e ampliação de tipos de armas e calibres vem dando resultados, ainda que permaneça estável em cerca de 70% a quantidade de brasileiros e brasileiras que são contra a flexibilização do acesso às armas, conforme demonstram pesquisas de institutos como Datafolha e Ipec. Estados como Piauí, Bahia e Alagoas apresentaram crescimento muito acima da média nacional, chegando a 691% neste último.

Em 2017 a Polícia Federal informava que o Sistema Nacional de Armas (Sinarm) continha 637.972 registros de armas ativos. Ao final de 2020, este número subiu para 1.279.491 – um aumento de mais de 100%. O levantamento mostra que houve aumento de registros ativos – pessoas físicas registrando sua primeira arma ou renovando o registro anterior de armas que já possuem – em todos os estados brasileiros, sem exceção.

Onze estados aumentaram em mais de 100% o número de registros desde 2017. Alguns, no entanto, demonstram uma aceleração mais intensa, como o Distrito Federal que naquele ano apresentava 35.693 armas registradas e pulou para 236.296 em 2020 (aumento de 562%).

 

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena



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