Polícia

Operação Noteiras: pobres, doentes e analfabetos eram usados como “laranjas”



22/06/2022 07h23

Sob a promessa de emprego, pessoas em vulnerabilidade social, beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e analfabetos eram atraídos e usados como “laranjas” para a abertura de empresas por um grupo criminoso. Acusados da prática, seis pessoas foram presas nesta terça-feira (21), sendo cinco em Maceió e uma em Santa Catarina, na operação Noterias III, do Ministério Público de Alagoas. As vítimas recebiam entre R$ 300 e R$ 500, enquanto as empresas abertas no nome delas emitiram mais de R$ 23 milhões em notas frias.

De acordo com o promotor de Justiça Cyro Blatter, o número de vítimas da quadrilha pode chegar a mais de cem pessoas. Todas essas vítimas, segundo Blatter, são pessoas em condição de miséria que acreditavam estar participando de um cadastro de emprego.

O delegado-geral-adjunto da Polícia Civil de Alagoas (PC-AL), Eduardo Mero, ressaltou que operações como essa são importantes, pois mostram o interesse da instituição em combater os crimes de colarinho branco e prender quem se apropria do patrimônio público.

Já o Gaesf disse as fraudes aconteceram por meio da emissão de 100 (cem) notas fiscais fraudulentas, no valor aproximado de R$ 23 milhões, através de 4 (quatro) empresas de fachada, com informações inverídicas, que são relativas à propriedade e gestão desses estabelecimentos comerciais, que, na prática, jamais existiram. Estas empresas são conhecidas como paper companies.

Para o cometimento dos ilícitos penais, havia participação criminosa de contadores, empresários, “testas de ferro” ou “laranjas”. É provável que haja uma extensão do grupo criminoso, razão pela qual, além dos investigados em Alagoas e Santa Catarina, o Ministério Público também apura o envolvimento de mais pessoas em outras unidades da federação.

De forma dolosa, duas empresas situadas no estado de Santa Catarina têm participação nos esquemas fraudulentos que causaram vultosos prejuízos que estão em apuração pelas SEFAZ/AL e SEFAZ/SC.

Além dos chefes, na Orcrim existe num segundo escalão com integrantes de núcleos familiares, empresários, contadores e testas de ferro, já devidamente identificados e que serão alvo em ações penais separadas, de acordo com o eixo de atuação e estarão sujeitos a penas que poderão alcançar até 80 anos de reclusão.

 

Fonte: Gazetaweb 



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