Política

Petrobras pedirá o dobro pelo gás em 2022 e Bolsonaro ameaça com privatização



11/11/2021 08h39

Apesar do governo promover um choque de energia barata com a abertura do mercado de gás natural já para o ano eleitoral, a Petrobrás já adiantou que para o próximo ano deve pedir o dobro pelo seu produto.

Isso porque a estatal , que ainda abastece a maior parte do mercado, já avisou as distribuidoras e grandes consumidores com contratos vencendo no final deste ano que não haverá renovação e só poderá fornecer o combustível pelo dobro do preço.

Esse movimento terá impacto na economia em ano eleitoral porque, a partir de janeiro, 70% do mercado estará sem contrato, segundo conta das distribuidoras.

Sem alternativa de novos fornecedores, essas empresas continuarão reféns da estatal. No mercado internacional falta combustível, o que fez os preços para importação dispararem. As empresas que produzem aqui só conseguem abastecer 25% da necessidade do mercado. Nem mesmo a Petrobras conseguirá atender todos os interessados.

A Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) já avalia formalizar no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) uma reclamação contra a Petrobras por abuso de poder econômico, ferindo cláusulas dos termos de compromisso assinado no ano passado que garantiriam o fim do monopólio neste setor.

Bolsonaro

Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar sobre sua intenção de privatizar a Petrobras e chamou, durante entrevista à Rádio Cultura do Espírito Santo, nesta quarta (10), a petroleiro de “monstrengo” que, segundo ele, trabalha para que seus acionistas não tenham prejuízos.

“Não tenho ingerência sobre a Petrobras. Tanto é que eu espero aí privatizar parte dela, que não é fácil. Já entrei em contato com a equipe econômica”, disse Bolsonaro em entrevista a uma rádio do Espírito Santo. “Porque a Petrobras é um monstrengo, tem um monopólio e praticamente vive em função dela mesma. Ela vive para que, dada a legislação existente, os acionistas nunca tenham prejuízo”. Jair Bolsonaro, presidente.

A União é o maior acionista da Petrobras e, consequentemente, a maior beneficiária dos dividendos pagos pela estatal. Bolsonaro tem criticado com frequência nos últimos dias a distribuição de lucros da Petrobras a seus acionistas.

A alta dos preços dos combustíveis, que têm sido constantemente reajustados pela Petrobras, está entre os fatores por trás da queda na aprovação de Bolsonaro e de seu governo, de acordo com pesquisas de opinião.

Há cerca de um mês Bolsonaro começou a falar de estudos para privatizar a estatal. No entanto, a equipe econômica negou que haja estudos concretos até o momento.

 

Fonte: É assim / Thiago Sampaio 



Compartilhe