Política

Carta aberta da Bandeira do Brasil


Carlo Bandeira
Fonte: Redação

19/11/2021 09h07

Dia da Bandeira; “Nunca fui tão envergonhada”!

“Nasci quatro dias após à proclamação de uma república conquistada sem revolta armada, mas arrodeada de intentonas disseminadas por uma elite dividia entre a monarquia e a república. Era 19 de novembro de 1889.

Desde o Brasil Império, trago as cores que represento hoje;

o Verde, o amarelo. Quando veio a república, o branco e o azul anil passaram a fazer parte da minha história, da história deste país continental, deste povo sofrido, todavia forte, contudo, desprotegido e vilipendiado.

Essas cores atravessaram uma era em que aconteceu de tudo. Toda vez que chegamos perto de algum ponto iluminado com a luz da igualdade e um pouco mais de justiça social, eis que surge, como num passe diabólico de mágica, a força da mão pesada de um Poder que não se cansa em perseguir, separar, desunir, e sobretudo, forjar a intolerância calcada na deformação da realidade.

A vergonha vem quando me jogam nas costas, me abanam e me sacodem para ovacionar a miséria, o sufrágio, e um mito criado sob a própria ignorância.

Vestindo pessoas que não sabem realmente o que significa viver e ser uma Nação. Ver o verde, em mim estampado, sendo engolido pela fumaça asfixiante do interesse corporativo-econômico, é o que me dói, destrói-me de fora para dentro, sem pena com quem sofre as perdas de direitos conquistados a duras penas.   

Não significo estes. Não represento estes que andam me abanando, pois eles me abanam em vão.

No hino da minha história, apaga-se, pouco-a-pouco, o sentido do meu significado. Estes, corroem o valor de cada palavra.

Hoje: - o “Salve, lindo pendão da esperança”, perdeu a esperança, em função da fé dos incrédulos.

- “Salve, símbolo augusto da paz”, transformou-se em paz eterna de mais de seiscentos milhões de vítimas dessa truculenta verdade que paira no ar!

- “A verdura sem par destas matas”, transforma-se em queimaduras difíceis de sanar.

- “Nos momentos de festa ou de dor, paira sempre sagrada bandeira, Pavilhão da justiça e do amor”!

Esta última estrofe, bem, vamos pensar mais um pouco...

Com Carlo Bandeira



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