Política

Deputada Tereza Nelma denuncia oportunismo de senador Rodrigo Cunha


Lysanne Ferro
Fonte: Redação

09/06/2022 05h38

A deputada federal Tereza Nelma fala pela primeira vez com exclusividade para o Jornal de Arapiraca sobre a utilização do Hospital de Amor como propaganda política do senador Rodrigo Cunha, que circula em toda Alagoas. Nos outdoors, peças publicitárias e posts das redes sociais,  o slogan de Cunha é “Você pode não saber, mas o trabalho de Rodrigo Cunha você vê”, em seguida uma lista de ações realizadas durante seu mandato de senador, interrompido para que o mesmo possa disputar ao cargo de governador de Alagoas.

Entre elas, a unidade do Hospital de Amor, referência de combate e tratamento do câncer de mama e de útero de Barretos. Segundo a deputada, ela foi pega de surpresa com o apagamento da sua contribuição, já que a deputada é responsável por toda negociação com a diretoria do Hospital para trazê-lo para Alagoas.

Em entrevista, a deputada, que é natural de Arapiraca, explica como o Hospital de Amor chegou em Arapiraca e revela ter sido pega de surpresa com a forma que o senador utilizou a ação. 

Confira na íntegra a entrevista com a deputada.

 

Jornal de Arapiraca - De onde vem esse seu trabalho em defesa das pessoas com câncer?

Tereza Nelma – Sou psicóloga e especialista em Educação Especial. Eu já trabalhava há muito tempo com organizações filantrópicas, como a Pestalozzi, que faz reabilitação de pessoas com deficiência. Inclusive, fundei a Pestalozzi de Arapiraca junto com a empresária Vanilza Freire. Portanto, estava na fronteira da área de saúde. Aí eu ia viajar com meu marido e fizemos um check up. Descobri um câncer de reto. O mundo parecia que estava desabando.

 

JA – O sofrimento deve ser grande...

TN – É verdade, é uma dor cruel. Por isso não se pode enganar nenhuma pessoa com câncer. Eu conclui, com apoio da família, da fé e da medicina, que devia enfrentar, como já fazia com as deficiências. Fundei a Associação das Pessoas com Câncer, APECAN. Superei o câncer, vieram outros. Assumi o compromisso que se fosse eleita criaria um serviço, a Casa Rosa, para prevenir o câncer de mama e de colo de útero. Os que mais matam mulheres.

 

JA – E o Hospital de Amor, como aconteceu?

TN – Infelizmente, agora estou enfrentando o quinto câncer, que apareceu depois que fui eleita deputada federal. Continuo fazendo imunoterapia todos os meses, em Brasília ou em Maceió. Com o trabalho de dez anos que faço com essas mulheres eu já conhecia o hospital de Barretos, um dos maiores centros de tratamento do câncer do país. Dai encontrei o presidente da Fundação Pio XII, Henrique Prata, e ele aceitou meu projeto de trazer a rede para Arapiraca, minha terra. Acompanhei tudo, mesmo internada durante cinco meses em um hospital de São Paulo.

 

JA – E como o Hospital foi implantado aqui?

TN – Se algum político disser que faz uma obra sozinho, é falso. Contatei o então prefeito Rogério Teófilo, que aderiu ao projeto e doou o terreno, ato aprovado pela Câmara Municipal. Então procurei o senador Rodrigo Cunha, que conheci ainda criança, e o convidei para participar com uma emenda. Até o senador Renan Calheiros, a meu pedido, já destinou uma emenda. Nem por isso diz que a obra é dele.

 

JA – Então o senador Rodrigo Cunha mudou de posição?

TN – Eu pensava que conhecia o senador. Ele nunca trabalhou com pessoas com câncer em seus mandatos, muito menos mulheres. Mas para minha surpresa, ele articulou sem meu conhecimento, a inauguração do hospital para o dia da morte de sua mãe – vítima de um violento crime político, mas sem relação com o câncer. E na inauguração, em frente ao hospital e por Arapiraca afora, ele espalhou outdoor agressivos: “Arapiraca precisava, Rodrigo fez”. Na inauguração, quando o nome do senador foi anunciado, para o constrangimento geral, pipocaram quase dez minutos de fogos de artifício. Para os outros, nem um traque. Uma pirotecnia planejada com má fé.

 

JA – O que fez a senhora?

TN – Contei, com calma, a verdadeira história do hospital. O Henrique Prata confirmou. Está tudo filmado. Ele ficou sem ação e reconheceu em seu discurso que eu estava “falando a verdade”. Disse ainda que nunca havia “mentido” para mim. Na minha frente não ousou assumir um protagonismo que não é dele. Portanto, ele não fez nem articulou o projeto, é mentira. Participou com uma emenda, a meu convite, sim. Mas como o mandato dele é inexpressivo, talvez necessite mesmo de produzir um fake. É uma pena ver uma liderança como o Rodrigo, que despertou tanta esperança, se envolver com essa política rasteira. Acho lamentável ele fazer isso com as pessoas que sofrem com o câncer. Ainda espero um dia as desculpas dele. Enquanto isso, vou continuar apoiando o hospital de Amor, que necessita da solidariedade de todos nós. Arapiraca precisava, eu articulei, vários contribuíram, e com isso muitas mulheres de Arapiraca e do agreste terão vidas mais saudáveis.

 



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