Política

Em visita a Arapiraca, Ronaldo Lessa confirma sua pré-candidatura ao Senado


Lysanne Ferro
Fonte: Jornal de Arapiraca

16/06/2022 01h43

O atual vice-prefeito de Maceió, Ronaldo Lessa, iniciou a sua pré-campanha rumo ao Senado Federal por Arapiraca, na capital do Agreste, na última quinta-feira (09). Ronaldo retoma à cidade após dois anos de pandemia e os compromissos da vice-prefeitura de Maceió. Em entrevista para o Jornal de Arapiraca, o político, que já ocupou diversos cargos como o de Governador de Alagoas, Prefeito de Maceió e Deputado Federal, avaliou o cenário nacional e local. Apresentou ainda os motivos que o levaram a disputar a cadeira.

Para ele, concorrer ao Senado permite representar o povo alagoano em uma nova esfera, mas ressalta que independente do cargo ocupado, a prioridade é trabalhar para melhorar as condições de vida da população. “Meu propósito é servir ao povo, o espaço que for dado a gente deve cumprir. Se for como senador ótimo, que nunca fui, e é a Câmara Alta do país e precisa de pessoas com experiência, mas como vice-prefeito de Maceió eu também estou honrado, já fui prefeito e vivo naquela terra, portanto eu também estou satisfeito”

Lessa veio à Arapiraca para compromissos com a imprensa e pode fazer seu balanço sobre a política nacional e as demandas locais. Ao falar do Agreste, ele relembrou os feitos durante seus mandatos como Governador, quando trouxe as edições do ‘Governo no Interior’, para Arapiraca e despachava daqui mesmo os assuntos do governo. Ressaltou que mesmo com esses dois anos sem o contato direto com os arapiraquenses, nutre muito carinho e compromisso com o município. “Eu não me considero afastado de Arapiraca, em 2014 quando Rogério Teófilo saiu a federal e teve uma votação fantástica de 16 mil votos e não poderia ser diferente, era filho da terra e eu fui o segundo com quase 10 mil votos, então Arapiraca sempre mostrou reconhecimento por todo trabalho que eu fiz, porque o que eu pude fazer pelo Agreste eu fiz”, recordou.

Quanto aos desafios que Alagoas e o Agreste ainda têm pela frente, Ronaldo Lessa destaca a desigualdade social que assola o estado, onde poucos acumulam muito e milhares tentam sobreviver com muito pouco. “Ainda falta muita coisa em Alagoas, nós precisamos discutir é prioridade. Nenhum gestor consegue fazer tudo que precisa, tem que traçar prioridades, que eu acho que aqui ainda não há, é a questão da disparidade econômica, é um estado de ricos e pobres, temos que enfrentar esse problema”, refletiu.


IMPASSE POLÍTICO

O anúncio da decisão da executiva estadual do PDT, em que se deliberou pela maioria dos votos, a confirmação do seu nome para disputar a vaga do Senado, surpreendeu alguns, já que alguns rumores apontavam que o ex-governador fosse à disputa pela cadeira que já ocupou no final dos anos 90. Para ele, o que balizou a decisão pessoal e do partido foi o compromisso firmado com o senador Rodrigo Cunha que já havia sinalizado que sairia para governador. “A gente se sentiu eticamente comprometido com o Rodrigo, apesar de estar um pouco delicada a situação com Davi, que também está para o Senado. Mas nós não demos um passo em falso, nós cumprimos o nosso compromisso e não nos lançamos para governador. E o partido então entendeu que deveria honrar e portanto colocar meu nome para o senado”, explicou.

O impasse citado por Ronaldo Lessa, que envolve o também pré-candidato ao senado Davi Davino, se dá pois ambos estão apoiando o candidato ao governo Rodrigo Cunha. Legalmente, segundo o advogado especialista em direito eleitoral, Radamés Pereira, não há impedimento jurídico, que uma possível coligação entre União Brasil, PDT e PP não possa ter mais de um nome para o Senado. A questão passa a ser política, uma vez que há apenas uma vaga para o Senado nestas eleições.

“Eu não vou poder ficar esperando que decidam isso, a nossa pré-candidatura pode ser independente também. Até chegar as convenções e o PDT definir se eu devo permanecer ou não, isso vai depender da estabilidade ou não da candidatura do Ciro, do que o PDT quer nacionalmente e também do equilíbrio da gente. Não interessa pra gente criar problema, a ideia da gente é continuar na política, mesmo aos 73 anos, mas contribuindo”, ponderou.

 

QUESTÕES NACIONAIS

A nível nacional, Ronaldo Lessa reforçou o nome do PDT, Ciro Gomes, para a Presidência da República e avaliou a tensão criada entre Ciro e Lula como precipitada para o momento. “Fechado com Ciro. E lamentando essa polarização na pré-candidatura, quer dizer, ela é prematura, é ruim e não ajuda o país. Temos muita gratidão pelo que Lula fez, mas o que nós queremos é o futuro, é o além disso, as questões que nunca foram discutidas, um projeto para o país, a questão da reforma tributária, pois o Brasil cobra muito mais da classe média e do pobre e menos dos mais abastados. Então acho que o Ciro é quem é capaz de levar esse projeto”, salientou.

Em relação a outra polêmica presente nos últimos tempos, entre esquerda e direita, Ronaldo Lessa não se isenta de afirmar sua posição na política brasileira. Ainda como estudante, combateu a tirania do Regime Militar, e se tornou liderança estudantil. “Tem gente que tem medo de se identificar, eu não tenho, eu sempre fui, não adianta negar o que faz parte da minha trajetória, sou uma pessoa que penso e sou de centro-esquerda e posso representar esse segmento, posso ser útil ao pais”, afirmou.

Ronaldo Lessa também falou sobre o fortalecimento da democracia e da importância da confiança nas urnas eletrônicas. Para ele, o sistema funciona bem, mas defende a materialização de votos que permite, segundo ele, uma consulta a qualquer momento do resultado e relembra que enquanto deputado federal participou de debates e votações sobre o tema. “O PDT diz isso há dezenas de anos, desde o Brizola, que deveria ser feito a materialização dos votos, para que depois, em qualquer momento, pudesse conferir. Isso aí eu não acho nada demais, acho até bom, que dá mais respaldo e segurança. A Câmara e o Senado já aprovaram e o Judiciário disse que não podia fazer, porque não tinha dinheiro e isso é lamentável, que o judiciário faça isso quando se tem dinheiro pra tudo no país”, reiterou.

Para ele, o país precisa estar à altura de sua grandiosidade geográfica e populacional. “Estamos vivendo um momento no país muito difícil, em que o Brasil não precisa passar por isso. Poucos países do mundo têm a produtividade e o ecossistema que temos, países que estão hoje na frente da gente que não tem a potencialidade que nós temos”.

O desafio que está posto é o fortalecimento da democracia, na sua avaliação. “A primeira coisa que nós temos que fazer é aperfeiçoar as nossas instituições para fortalecer a democracia, isso que é fundamental, precisa os três poderes, judiciário, executivo e legislativo se aperfeiçoem”, finalizou.

 

 

 



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