Política

Maceió, com mais de 30 por cento dos votos de Alagoas pode decidir a eleição para governador em outubro?


Cláudio Bulgarelli
Fonte: Jornal de Arapiraca

11/08/2022 08h06

Maceió, como o maior colégio eleitoral de Alagoas, com mais de 600 mil eleitores, representando 30 por cento dos mais de 2,3 milhões de votos válidos para as eleições de outubro, é a menina dos olhos dos 4 principais candidatos ao cargo de governador de Alagoas. Todos já tiveram uma relação direta ou indireta com a capital, e sabem que, quem sair com o maior número de votos da maior cidade do Estado, leva grande vantagem nos outros colégios eleitorais espalhados pelo Estado.   

Paulo Dantas, o líder das pesquisas até o momento, apesar de ser deputado, era pouco conhecido na capital. Eleito governador em votação de seus pares na Assembleia Legislativa, conta com o apoio do ex-governador Renan Filho, que saiu do governo com um índice de aprovação de mais de 70 por cento, além de ótima gestão com muitas obras na capital, a exemplo do Hospital da Mulher e do Metropolitano. Para reforçar ainda mais sua presença, tirou o vice-prefeito de Maceió, Ronaldo Lessa e o abrigou como seu vice. Ronaldo, que já foi prefeito de Maceió em 1992, elegeu sua sucessora Kátia Born em 1996 e foi governador de Alagoas por dois mandatos, em 1998 e 2002, é certamente o vice de maior peso nas eleições de outubro.

Os analistas se perguntam, Ronaldo vai transferir quantos votos da capital para Paulo Dantas? E Renan Filho, que teve mais de 240 mil votos em Maceió em 2018 e se reelegeu com mais de um milhão de votos, vai ter a mesma performance.

O ex-presidente Fernando Collor, que também já foi prefeito nomeado de Maceió, em 1979, quando era filiado à antiga Arena, escolheu um vereador como vice. Leonardo Dias, que participou das reuniões para criação do antigo MBL em Alagoas, depois Movimento Brasil, foi eleito vereador por Maceió com 3.777 votos. Collor, por outro lado, foi também eleito governador de Alagoas, onde ficou conhecido nacionalmente pela campanha de “caça aos marajás”, como denominou aqueles funcionários públicos que recebiam salários exorbitantes. Collor vai armar o palanque para Bolsonaro em Alagoas, ao lado do vice, Leonardo Dias, bolsonarista de carteirinha, mas que poderá dividir os votos dos eleitores do presidente com outros candidatos de outros partidos, a exemplo de Cabo Bebeto, Flávio Moreno e agora o candidato ao Senado, escolhido pelo prefeito de Maceió JHC, major Diego Ramos, outro bolsonarista de longa data. Claro, tudo vai depender de quem esses nomes irão apoiar para governador, dividindo, certamente, os votos dos eleitores de Bolsonaro.

Já Rui Palmeira, que foi eleito prefeito em 2012 e reeleito em 2016 no segundo turno com 241.977 votos, acredita que pode manter a boa performance em Maceió, onde certamente terá seu maior eleitorado. Rui confia que o maceioense se lembrará das transformações que sua gestão proporcionou, seja nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e turismo. O ex-prefeito, que vem conversando com as pessoas, aponta ainda um diferencial, pois em pesquisas a população o aponta como o candidato mais preparado dentre os demais para assumir a cadeira do palácio do governo. A escolha do vice, que ainda não foi definida, poderá dar a Rui milhares de votos no interior e apoio de muitas prefeituras.

Por fim o senador Rodrigo Cunha, que mesmo tendo sido por anos diretor do Procon, e ser o menos ligado a Maceió, já que conta com seu reduto em Arapiraca, além de ter escolhido uma vice, a deputada Jó Pereira, natural de Penedo, mas com forte presença política no sertão, teve nas eleições para o Senado 344.312 votos na capital e 895.738 votos em todo o Estado.

Por fim, o prefeito JHC, que pode ser realmente o fiel da balança para qualquer candidato que tenha seu apoio. Em 2020 o atual prefeito de Maceió teve 222 mil votos no segundo turno, vencendo Alfredo Gaspar.

 




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